A internet, como a conhecemos, está em risco, e o principal responsável por isso pode ser o Google. Embora a gigante de tecnologia publique declarações negando o problema, discretamente ela admite que suas mudanças estão tendo impactos profundos na web aberta. O recurso AI Overviews, lançado pelo Google, é uma das inovações que mais tem gerado controvérsia, pois está diminuindo a necessidade de os usuários clicarem nos links originais das páginas para buscar informações.
O AI Overviews resume as respostas diretamente nos resultados de busca, fornecendo informações de forma instantânea. Embora isso melhore a experiência do usuário, reduz a necessidade de navegar até os sites e, de acordo com uma pesquisa do Pew Research, isso resulta em uma queda de até 46% nos cliques. Ou seja, ao invés de acessar os sites, os usuários estão consumindo as respostas diretamente na plataforma de busca.
Esse movimento do Google não é recente. Desde 2019, quando a empresa percebeu uma queda no tráfego de buscas, as prioridades mudaram. O Google passou a focar mais em lucro e anúncios do que na qualidade do conteúdo. Os algoritmos foram ajustados, o número de links patrocinados aumentou, e muitos sites começaram a usar técnicas de SEO de maneira exagerada, produzindo conteúdo superficial e extenso. Com a chegada de ferramentas como as IAs generativas, a produção de conteúdo em massa piorou ainda mais a situação.
Com a redução no número de cliques nos links e, consequentemente, na receita publicitária dos sites, muitos começaram a adotar paywalls (muros de pagamento) para tentar se manter financeiramente. Isso, por sua vez, coloca a web aberta, com seu modelo de acesso gratuito, em um caminho de declínio. O próprio Google, em um documento judicial, admitiu o impacto desse modelo na web aberta.

A chegada das IAs, como o ChatGPT e o Gemini, também gerou uma nova onda de disputas legais. Esses modelos de inteligência artificial são treinados com conteúdo retirado de sites sem pagar pelos direitos autorais, o que resultou em vários processos por violação de direitos. Organizações como o New York Times e a Folha de S.Paulo já estão processando empresas de IA, enquanto a Anthropic, uma dessas empresas, foi condenada a pagar US$ 1,5 bilhão por usar livros piratas para treinar seu modelo.
No entanto, o futuro parece ainda mais paradoxal: se o conteúdo humano continuar a ser substituído por textos gerados por IA, as próprias IAs podem entrar em colapso. Estudos de Oxford e Cambridge mostram que modelos que são treinados apenas com conteúdo sintético começam a sofrer de “colapso cognitivo”, perdendo qualidade e precisão. Isso significa que a escassez de conteúdo original e valioso pode não só prejudicar os sites da web, mas também as próprias IAs que dependem do conteúdo humano para evoluir.
Em resumo, enquanto o AI Overviews resolve parcialmente o problema da busca poluída, ele cria um problema ainda maior: reduz o tráfego para os sites, ameaça o modelo econômico da web aberta e, ironicamente, pode levar à degradação das próprias IAs que necessitam de conteúdo humano para existir e funcionar de forma eficaz.
Fonte: justice.gov
Redação Diário do Povo – conteúdo verificado e adaptado.








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