0

A ex-ministra da Suprema Corte do Chile, Ángela Vivanco, foi presa neste domingo (25), em Santiago, suspeita de envolvimento em um amplo esquema de corrupção. Ela é acusada de suborno, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, crimes ligados ao escândalo conhecido como “Boneca Bielorrussa” e também ao chamado “Caso dos Áudios”.

Ángela Vivanco foi destituída do cargo de ministra em setembro de 2024 Foto: Pedro Mora Brito/Wikimedia Commons
Ángela Vivanco foi destituída do cargo de ministra em setembro de 2024
Foto Pedro Mora BritoWikimedia Commons

As investigações avançaram após a análise de mensagens trocadas entre Vivanco e o advogado Luis Hermosilla, figura influente no meio jurídico chileno e ex-aliado do ex-presidente Sebastián Piñera. Segundo os investigadores, as conversas indicariam a atuação da ex-magistrada dentro de uma rede criminosa. Após a prisão, Vivanco foi levada ao Centro de Justiça de Santiago, onde permanece à disposição das autoridades para a formalização da acusação.

O caso ganhou repercussão em setembro de 2024, quando Vivanco se tornou a segunda ministra da Suprema Corte a perder o cargo em 25 anos. Além dela, também passaram a ser investigados o marido, Gonzalo Migueles, e os advogados Mario Vargas e Eduardo Lagos.

No escândalo da “Boneca Bielorrussa”, a suspeita é de que Vivanco tenha recebido pagamentos ilegais da empresa Belaz Movitec SpA — formada por uma companhia chilena e outra da Bielorrússia — para favorecer a empresa em uma disputa judicial contra a estatal chilena Codelco. As apurações indicam que cerca de US$ 57 milhões teriam sido repassados por meio do marido da ex-ministra, que atuava como sócio no esquema. Durante um período em que presidiu a Suprema Corte de forma extraordinária, Vivanco anulou uma decisão favorável à estatal e determinou o pagamento de US$ 25 milhões à empresa privada.

Já o “Caso dos Áudios” investiga um esquema de tráfico de influência liderado por Hermosilla, envolvendo empresários, políticos e integrantes do Judiciário. Gravações analisadas pela Promotoria indicam articulações para a indicação de Vivanco à Suprema Corte. Entre 2018 e 2024, ela teria atuado em processos que beneficiaram interesses ligados ao advogado.

A situação da ex-ministra se agravou após declarações do ex-deputado Gabriel Silber, que decidiu colaborar com o Ministério Público. Ele afirmou que Vivanco demonstrou preocupação com a possibilidade de vazamento das mensagens e teria defendido a destruição dos registros.

Em sua defesa, Ángela Vivanco nega qualquer irregularidade e afirma:

“Os casos em que julguei, julguei com plena convicção do que estava julgando. Especialmente neste caso Belaz Movitec, que passou pelo tribunal diversas vezes, e em todas as instâncias, as decisões foram por ampla maioria ou unanimidade. Nenhum dos casos foi decidido diretamente por mim, e em todos eles, os demais juízes concordaram por maioria ou mesmo por unanimidade.”

Ela também sustenta que sua atuação foi independente ao longo dos seis anos no cargo e diz que suas decisões foram “completamente independentes de advogados que eu conhecia, amigos advogados, advogados que encontrei ao longo do caminho, e também da minha família, porque nenhum deles participou ou jamais teve qualquer influência em qualquer caso de que eu tivesse conhecimento“.

Camilla Arisa Hasebe
Publicitária formada em Técnico em Informática (SENAI) e Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing (UNOPAR). Transforma ideias em soluções criativas que unem design, estratégia e inovação digital. Une o raciocínio lógico à sensibilidade criativa para desenvolver projetos.

Você também pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em Mundo