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Pesquisa em ratos revela que o suplemento traz benefícios ao hipocampo, região cerebral crucial para aprendizagem e memória, mesmo sem a prática de exercícios físicos. Resultados ainda são pré-clínicos, mas pesquisadores espanhóis acreditam em efeitos clínicos.

Por Redação do Diário do Povo

Sevilha, Espanha, 15 de outubro de 2026 – A creatina é o suplemento alimentar que mais tem sido estudado nos últimos tempos. Antes considerada especialmente para atletas, agora os pesquisadores têm investigado seus benefícios para além do músculo. De acordo com evidências preliminares, o composto pode trazer ganhos para diversas partes do cérebro, mesmo que não haja prática de exercícios.

Um novo estudo realizado com ratos aponta que a creatina pode ser altamente eficaz em relação à proteção do cérebro contra problemas intestinais. Publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity, o estudo limita os resultados aos animais; porém, pesquisadores espanhóis acreditam que existem efeitos clínicos.

Eles apontam que o suplemento pode ser um grande candidato para preservar a saúde cerebral, especialmente em pessoas com distúrbios inflamatórios do eixo intestino-cérebro.

“Do ponto de vista clínico, a suplementação de creatina surge como uma estratégia poderosa, complementar e preventiva”, diz a equipe de pesquisa liderada pelos neurofisiologistas Alejandro Ruiz-Calero e Maria Ortego-Domínguez, da Universidade de Sevilha, na Espanha.

Eles reforçam que o conteúdo da creatina no hipocampo ajuda a preservar a integridade, a normalização e a excitabilidade neuronal, com foco nos parâmetros afetados pela inflamação.

Benefícios Para o Cérebro

De acordo com o estudo, ratos com inflamação intestinal que tomaram o suplemento diariamente apresentaram bons níveis de restauração de creatina no hipocampo e redução da inflamação e dos danos aos neurônios na mesma região.

Esses resultados corroboram diversas outras pesquisas preliminares que relacionam uma melhora na saúde cerebral ao consumo da suplementação, já que se sabe que o cérebro utiliza uma enorme quantidade de energia do corpo e a creatina exerce um importante papel na manutenção do equilíbrio energético da célula.

Em humanos, uma dieta onívora normal contém cerca de 1 a 2 gramas de creatina por dia, composto orgânico natural que também é produzido pelo fígado, rins e pâncreas.

Normalmente, o suplemento é armazenado principalmente no músculo, mas pode atravessar também a barreira hematoencefálica e ser absorvido por neurônios e outras células do cérebro, ainda que o que acontece com o composto quando entra no sistema nervoso central seja menos claro.

Estudos Com Ratos

Estudos mostraram que a colite ulcerativa, uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o revestimento intestinal, também manifesta sintomas no cérebro. Quando a doença está ativa, pacientes relatam confusão mental, perda de memória, déficits de atenção e declínio executivo. Pesquisas em ratos com colite já demonstravam maior inflamação no hipocampo.

Os pesquisadores na Espanha mostraram que a inflamação intestinal em roedores pode causar danos e disfunções nos neurônios do hipocampo.

Os animais que receberam doses orais de 1 g de creatina por quilo, diariamente, tiveram esses danos contidos. Nos ratos que desenvolveram a condição, a suplementação restaurou os níveis de creatina no hipocampo, preservou a integridade neuronal e normalizou a excitabilidade prejudicada, apresentando benefícios mais evidentes nos machos — nos quais os danos cerebrais associados à colite parecem ser piores do que nas fêmeas.

Os resultados indicam que condições inflamatórias podem afetar os cérebros masculino e feminino de formas distintas e que a creatina pode ajudar a prevenir algumas dessas consequências.

Próximos Passos

Os autores destacam que a redução de creatina no cérebro também se associa a neurodegeneração, lesão cerebral traumática e doenças neuropsiquiátricas.

Contudo, como a pesquisa ainda está em fase pré-clínica, não há clareza sobre a eficácia em humanos ou se todos se beneficiarão igualmente. Novos estudos são necessários para confirmar os efeitos clínicos e determinar dosagens seguras e eficazes para a população.

Rodrigo Silva
Estudante de Publicidade e Propaganda focado em Social Media e Marketing Digital. Transformo estratégias de conteúdo, comunicação visual e copywriting em resultados práticos de engajamento e autoridade de marca. Uno o pensamento analítico de performance à visão criativa para desenvolver e potencializar projetos digitais.

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