Johanna Döbereiner, uma das figuras mais influentes da ciência brasileira, deixou um legado que não apenas revolucionou a agricultura do país, mas também contribuiu para uma economia mais sustentável. Suas pesquisas sobre bactérias fixadoras de nitrogênio tornaram-se essenciais para o desenvolvimento de uma agricultura que dispensa o uso de fertilizantes químicos, especialmente em culturas como a soja. Essa inovação permitiu ao Brasil se tornar uma potência agrícola, economizando até R$ 10 bilhões por ano em custos com fertilizantes.
Desde a década de 1950, Johanna dedicou sua carreira a estudar microrganismos que conseguem extrair o nitrogênio do ar e transformá-lo em uma forma utilizável pelas plantas, um processo conhecido como fixação biológica de nitrogênio. Seu trabalho foi uma verdadeira revolução, uma vez que, em plena década de 1960, a maioria dos cientistas ainda defendia o uso de fertilizantes químicos. O Brasil, porém, seguiu o caminho oposto, apostando em soluções naturais.
Essa abordagem permitiu ao país se destacar como o maior produtor de soja do mundo, seguindo um modelo mais ecológico e economicamente vantajoso. A técnica de inoculação das sementes com bactérias específicas, como o gênero Rhizobium, tem se mostrado fundamental para o sucesso da soja brasileira, que, hoje, cresce sem a necessidade de fertilizantes nitrogenados.
Além de sua contribuição para a soja, Johanna também realizou descobertas significativas sobre bactérias que beneficiam outras culturas, como milho, feijão e cana-de-açúcar. Seu trabalho resultou na publicação de mais de 500 artigos científicos e na descrição de nove novas espécies de bactérias diazotróficas, fundamentais para a agricultura tropical.

Johanna Döbereiner nasceu em 1924, na antiga Tchecoslováquia, e passou por uma infância marcada pelas dificuldades da Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, imigrou para o Brasil em 1950, onde continuou seus estudos e contribuiu para a formação da Embrapa, um dos maiores centros de pesquisa agrícola do mundo. A cientista também foi indicada ao Prêmio Nobel de Química em 1997, reconhecimento pelo seu impacto em uma agricultura mais eficiente e ambientalmente responsável, principalmente em países tropicais.
A cientista naturalizada brasileira, que sempre demonstrou imenso amor pelo país que a acolheu, seguiu sua rotina simples e discreta até o fim de sua vida. Mesmo enfrentando a doença de Alzheimer nos últimos anos, Johanna nunca se afastou da pesquisa e continuou a trabalhar até seus últimos dias, falecendo em 2000.
O trabalho de Johanna Döbereiner não apenas transformou a agricultura brasileira, mas também serve como um exemplo claro de como a ciência pode ser uma aliada fundamental na busca por soluções sustentáveis. Seu legado permanece vivo, com o Brasil colhendo os frutos de suas descobertas e economizando bilhões todos os anos.
Fonte: Super Interessante
Redação Diário do Povo – conteúdo verificado e adaptado.








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