Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (12) mostrou que está ficando quase impossível distinguir uma música feita por inteligência artificial (IA) de uma criada por um compositor humano. O levantamento, realizado pela Ipsos a pedido da plataforma francesa Deezer, revelou que “97% não conseguiram diferenciar entre música gerada inteiramente por IA e música criada por humanos” durante um teste às cegas.
O estudo ouviu 9 mil pessoas em oito países, entre eles o Brasil, Estados Unidos, França e Japão, e apontou que boa parte do público vê a IA como uma ferramenta útil para descobrir novas músicas. Mesmo assim, muitos demonstram preocupação com o impacto da tecnologia na criatividade musical: 51% acreditam que o uso da IA pode resultar em músicas mais genéricas e de qualidade inferior, e 64% acham que isso pode levar a uma “perda de criatividade” na produção.

Segundo Alexis Lanternier, CEO da Deezer, os dados mostram que o público ainda se importa em saber se o som que está ouvindo foi feito por um artista ou por uma máquina. A plataforma, inclusive, é a única atualmente que sinaliza quando uma faixa foi criada totalmente por IA, informando o usuário antes da reprodução.
A Deezer também revelou que o número de músicas feitas por IA vem crescendo rapidamente: em janeiro, uma em cada dez faixas tocadas no app era gerada artificialmente, e hoje esse número chega a “34% de todas as músicas”, o que representa quase 40 mil canções por dia.
Em outras plataformas, a tendência também se espalha. No Spotify, por exemplo, o grupo The Velvet Sundown fez sucesso em junho com uma faixa que ultrapassou 3 milhões de reproduções, até ser descoberto que era uma banda inteiramente criada por IA. A empresa sueca, depois de críticas sobre falta de transparência, anunciou medidas para incentivar artistas a declararem o uso de inteligência artificial na criação de suas músicas.








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