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A ciência deu um passo gigantesco: em 2026 começam os primeiros testes em humanos da LungVax, a primeira vacina do mundo criada para tentar evitar o câncer de pulmão antes mesmo que ele apareça. O estudo é conduzido pela Universidade de Oxford e pela University College London, com investimento de R$ 13 milhões.

A ideia da vacina é simples de entender: ela usa um vírus modificado, que não causa doença, para levar um pedaço de DNA até as células. Esse DNA faz o corpo produzir um fragmento de proteína chamado NY-ESO-1, que costuma surgir em células que começam a apresentar alterações suspeitas, aquelas que podem virar câncer no futuro.

Quando o sistema imunológico aprende a reconhecer esse sinal, passa a agir mais rápido, atacando essas células anormais antes que virem um tumor.

Diferentes vacinas estão sendo desenvolvidas e testadas para combater células cancerígenas • Emilija Manevska/GettyImages
Diferentes vacinas estão sendo desenvolvidas e testadas para combater células cancerígenas Emilija ManevskaGettyImages

“Esse vetor entrega DNA para dentro da célula, que passa a produzir elementos capazes de ativar as células T. É como colocar o pulmão em vigilância constante para atacar qualquer célula que pareça tumoral”, explica o oncologista Stephen Stefani.

Diferente das vacinas anticâncer que já existem, usadas em pessoas que já estão com um tumor, a LungVax é preventiva. Nos primeiros testes, ela será aplicada em dois grupos:

• pessoas que já trataram câncer de pulmão, mas têm risco alto de o tumor voltar;

• pessoas que fazem acompanhamento por causa de alterações no pulmão detectadas em exames.

“É uma estratégia diferente. Em vez de agir depois do câncer estabelecido, busca impedir que ele retorne ou se desenvolva”, afirma Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm.

Os testes começarão pela fase 1, com cerca de 30 voluntários. Nessa etapa, os cientistas querem saber se a vacina é segura, qual é a dose ideal e se o corpo realmente reage produzindo defesa. Se tudo correr bem, ela avança para a fase 2, com 560 participantes, para verificar se reduz o risco de o câncer voltar ou surgir novamente.

“Trata-se de um estudo inicial, autorizado a começar. Com muito cuidado e zero euforia”, alerta Kfouri.

O câncer de pulmão segue como o que mais mata no mundo há 30 anos. Ele costuma ser silencioso no começo, o que dificulta o diagnóstico precoce. Por isso, qualquer avanço na prevenção pode mudar muita coisa.

“É um câncer que merece destaque. Há 30 anos ocupa o primeiro lugar entre os cânceres que mais matam no mundo. Por isso, se mostrar eficácia, essa vacina será revolucionária”, completa Stefani.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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