A marcação da sabatina de Jorge Messias para o dia 10 de dezembro colocou o advogado-geral da União numa corrida contra o tempo. A decisão de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, deixou a agenda apertada e tornou ainda mais difícil o trabalho de conquistar votos para garantir sua vaga no Supremo Tribunal Federal.
O intervalo, considerado curto mesmo em momentos políticos mais tranquilos, limita a movimentação de Messias nos bastidores. O clima no Senado já não é dos melhores para o governo, e a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foi bem recebida por parte dos parlamentares.

A comparação com indicações anteriores deixa a pressão ainda mais evidente. Cristiano Zanin, por exemplo, teve quase três semanas para visitar gabinetes depois de ser indicado em junho de 2023. O tempo extra ajudou o advogado a construir uma base sólida e conquistar “58 votos a 18”. Já Flávio Dino, nomeado no fim de novembro daquele ano, passou por sabatina duas semanas depois, mas enfrentou um ambiente mais favorável e saiu aprovado por 47 votos, mesmo com algumas resistências.
No caso de Messias, o cenário é mais complicado. Além da insatisfação geral com o Planalto, pesa o fato de que o próprio Alcolumbre não esconde que preferia ver Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na vaga do STF — um nome bem aceito entre os senadores. Lula, no entanto, manteve sua escolha e priorizou novamente alguém de sua confiança, como já havia feito com Zanin e Dino.
Com a data antecipada, o tradicional corpo a corpo — conversas reservadas, encontros com líderes e aproximação com bancadas — fica reduzido. Esse período costuma ser decisivo para quem precisa reverter resistências ou neutralizar críticas internas.
A oposição, por sua vez, enxerga Messias como um nome muito alinhado ao governo. Diferente dos indicados anteriores, que encontraram um Senado mais disposto ao diálogo, o advogado terá de trabalhar voto por voto para tentar virar o jogo.








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