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A cidade de São Paulo vive, em 2025, o ano mais violento para mulheres desde o início da série histórica, em 2015. Entre janeiro e outubro, foram registrados 53 feminicídios — número que já supera qualquer total anual anterior, mesmo sem os dados de novembro e dezembro.

No estado inteiro, o cenário também preocupa. Foram 207 mulheres assassinadas por feminicídio nos dez primeiros meses do ano, contra 191 no mesmo período de 2024, uma alta de 8%. A lei que tipifica o crime, em vigor desde 2015, considera feminicídio quando a morte ocorre em contexto de violência doméstica ou por “menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

Violência contra a mulher Foto ilustrativaFreepik

Para Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), o aumento pode refletir tanto o avanço da misoginia quanto uma melhora na identificação dos casos após a criação da lei. “Por um lado, cresce mesmo a violência contra a mulher. E, por outro, as autoridades estão ficando mais preparadas para olhar para a morte violenta e intencional de mulheres com essa perspectiva de gênero que leva à classificação como feminicídio”, afirma. Ela reforça que combater o problema exige ação conjunta: educação, saúde, assistência social, trabalho e habitação precisam atuar junto da segurança pública.

Nos últimos dias, dois episódios brutais voltaram a chamar atenção na capital. No sábado (29), Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-companheiro na Zona Norte. Ela passou por cirurgias e teve as pernas amputadas devido à gravidade das lesões. O suspeito, Douglas Alves da Silva, foi preso.

Já na manhã desta segunda-feira (1°), Evelin de Souza Saraiva, de 38 anos, foi baleada dentro da pastelaria onde trabalhava, também na Zona Norte. O agressor, Bruno Lopes Barreto, disparou ao menos quatro vezes usando duas armas simultaneamente e fugiu em uma moto. A vítima foi socorrida pelo helicóptero Águia e permanece na UTI após cirurgia. O suspeito segue foragido, e a Justiça já recebeu um pedido de prisão temporária.

Os números e os casos recentes reforçam que o feminicídio não é uma estatística distante: é uma realidade diária, que segue avançando e exige resposta urgente.

O levantamento foi feito pela GloboNews com base nas informações do Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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