Em meio às negociações da dupla Fla-Flu para a venda dos naming rights do Maracanã, um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pode mudar completamente o rumo do negócio. A proposta busca impedir qualquer alteração no nome oficial do estádio, hoje administrado por Flamengo e Fluminense, que estimam arrecadar cerca de R$ 55 milhões com a comercialização.

Pelo acordo de gestão, caso a venda avance, o Flamengo ficaria com 65% do valor e o Fluminense com 35%. O Governo do Estado acompanha o tema e, até agora, sinalizou de forma informal que não faria objeções à negociação. No entanto, o novo projeto pode criar um obstáculo legal ao processo.
A iniciativa é do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ). O texto determina que o Estádio Jornalista Mário Filho mantenha sua denominação histórica e proíbe qualquer tentativa de mudança, inclusive por meio de contratos comerciais. O projeto deixa claro que a vedação vale para atos administrativos, concessões, parcerias público-privadas e acordos ligados à exploração de naming rights.
Caso a proposta seja aprovada e sancionada pelo governador Cláudio Castro, o impacto pode ser direto na negociação conduzida por Flamengo e Fluminense. O projeto foi publicado no Diário Oficial em 12 de dezembro e ainda precisa passar pelas comissões de Constituição e Justiça, Esporte e Lazer, Cultura e Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional.
Na justificativa, o deputado afirma que mudar o nome do Maracanã significaria romper com a tradição e enfraquecer um símbolo que faz parte não só da história do Rio de Janeiro, mas do esporte mundial. Ele reconhece o crescimento do uso de naming rights em arenas esportivas, mas defende que, no caso do Maracanã, é preciso estabelecer limites claros.
Segundo o texto, “nenhum interesse econômico pode se sobrepor ao valor cultural, simbólico e afetivo” do estádio. O parlamentar ainda ressalta que a proposta não impede parcerias comerciais em geral, desde que o nome Maracanã seja preservado de forma clara e destacada, evitando qualquer descaracterização do espaço.
O tema reacende um debate antigo. Em 2021, a Alerj aprovou um projeto que mudaria o nome do estádio para Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé, mantendo Mário Filho apenas no complexo esportivo. A mudança, no entanto, foi vetada pelo governador Cláudio Castro, e o nome oficial do Maracanã permaneceu inalterado.








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