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O assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010, voltou ao centro do debate após a informação de que um passaporte da modelo teria sido encontrado em Portugal. A revelação trouxe novamente à tona questionamentos sobre um dos crimes mais marcantes da história recente do país e mobilizou familiares e órgãos oficiais.

Segundo informações apuradas até esta terça-feira (6), o documento foi localizado no fim de 2025 dentro de um apartamento alugado em território português. O passaporte estava guardado entre livros, em uma estante, e a descoberta veio a público após entrevista concedida ao portal LeoDias pelo homem que afirma ter encontrado o material.

Um passaporte que seria de Eliza Samudio foi encontrado por um homem em Portugal Foto: Reprodução/Leo Dias TV
Um passaporte que seria de Eliza Samudio foi encontrado por um homem em Portugal
Foto ReproduçãoLeo Dias TV

A identidade do responsável pelo imóvel e da pessoa que alugava o apartamento não foi divulgada. O passaporte foi encaminhado ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que comunicou o Itamaraty, em Brasília. De acordo com o ministério, o documento está vencido e cancelado, e será mantido à disposição da família de Eliza, caso haja interesse em recebê-lo.

Durante a entrevista, o homem que encontrou o passaporte relatou surpresa e cautela ao falar sobre o assunto.

“Eu prefiro não falar nada, deixar para as autoridades investigarem para não ser injusto com ninguém. Posso estar falando alguma coisa que pode prejudicar alguém que não tem nada a ver.

Prefiro que investiguem de fato como esse passaporte foi parar naquela casa, não posso afirmar nada”, disse.

Ele também demonstrou preocupação com os impactos da divulgação do caso e levantou questionamentos sobre um possível uso do documento após a morte da modelo.

“No meu ponto de vista, sabendo que eu não teria coragem de entrar [em outro país] com o passaporte de alguém que morreu… Acredito que outra pessoa também não [entraria com o documento], a não ser que esteja envolvida nesse crime”, afirmou, acrescentando: “Não é possível que alguém vai entrar em Portugal com o passaporte de uma pessoa que teve um homicídio tão grande”.

As investigações apontam ainda que o passaporte foi carimbado pela última vez em 5 de maio de 2007, sem registro de saída, apesar de haver provas de que Eliza estava no Brasil depois dessa data.

A mãe da modelo, Sônia Moura, adotou um tom cauteloso ao comentar o caso. Ela confirmou que tomou conhecimento da informação, mas afirmou que só irá se posicionar após a análise técnica do documento pelas autoridades competentes.

Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, após sair do Rio de Janeiro para Minas Gerais, onde teria sido atraída pelo então goleiro Bruno, na época jogador do Flamengo. O crime ganhou grande repercussão nacional, especialmente após a confissão de envolvidos e a revelação de detalhes brutais da execução.

Bruno foi apontado como mandante do assassinato e condenado a mais de 22 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Outros envolvidos também receberam penas conforme o grau de participação. O corpo de Eliza nunca foi encontrado, fator que até hoje alimenta dúvidas e especulações sobre o caso.

Mesmo após mais de uma década, o crime segue marcado pela violência, pelas controvérsias da investigação e, agora, por um novo elemento que reacende antigas perguntas que ainda não foram totalmente respondidas.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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