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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli teve o nome citado em diferentes momentos das investigações e reportagens sobre o caso Banco Master. Além de decisões controversas como relator de processos ligados às negociações entre o Master e o BRB (Banco de Brasília), surgiram menções envolvendo viagens, pedidos judiciais e até vínculos empresariais de familiares. A seguir, os principais episódios relacionados ao magistrado.

O ministro Dias Toffoli durante sessão da 2ª Turma do STF Imagem: Nelson Jr./SCO/STF
O ministro Dias Toffoli durante sessão da 2ª Turma do STF
Imagem Nelson JrSCOSTF

Viagem em jatinho com empresário ligado ao caso

No dia 29 de novembro, Toffoli viajou para Lima, no Peru, para acompanhar a final da Libertadores. O deslocamento foi feito em um jatinho do empresário Luiz Oswaldo Pastore, que levou cerca de 15 pessoas para assistir ao jogo entre Flamengo e Palmeiras.

Entre os passageiros estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que atua na defesa de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master, investigado no caso envolvendo o BRB. Na ocasião, porém, não havia nenhum pedido relacionado ao processo no STF. Segundo relatos, Toffoli afirmou a interlocutores que mantém amizade com Pastore e que não trata de assuntos judiciais durante essas viagens.

Um detalhe chamou atenção: um dia antes da final, a defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, havia protocolado um recurso no STF. O ministro, no entanto, disse a pessoas próximas que o processo ainda não havia chegado ao seu gabinete antes do embarque.

Investigação vai parar no STF

Poucos dias depois da viagem, em 4 de dezembro, Toffoli determinou que a investigação contra Daniel Vorcaro fosse remetida ao STF e ficasse sob sua relatoria. A apuração, que tratava de possíveis crimes financeiros, havia começado na 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

A mudança ocorreu após pedido da defesa de Vorcaro, que alegou a existência de um documento apreendido na casa do banqueiro mencionando o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado. Para os investigadores, porém, o documento não tinha ligação direta com o caso. À Folha de S.Paulo, Bacelar afirmou que se tratava apenas de uma proposta de venda de imóvel que não avançou. O ministro também manteve o processo sob sigilo.

Ordem de acareação gera recuo

Em 24 de dezembro, Toffoli determinou a realização de uma acareação entre Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. O objetivo era confrontar as versões sobre suspeitas de fraude na venda do Master ao BRB.

A decisão chamou atenção porque não havia solicitação formal da Polícia Federal. Cinco dias depois, após questionamentos, Toffoli voltou atrás e transferiu à PF a responsabilidade de decidir sobre a realização da acareação, depois de ouvir os envolvidos.

STF nega ligação com outras operações

Paralelamente, a Justiça de São Paulo rejeitou pedidos de Vorcaro para que partes das investigações das operações Carbono Oculto e Quasar fossem enviadas ao STF. Os juízes entenderam que não havia conexão entre esses casos e as apurações sobre o Banco Master e o BRB.

As operações investigam crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo o PCC, gestoras da Faria Lima e o setor de combustíveis. Segundo o Ministério Público, as apurações miram outros alvos e não indicam envolvimento direto de Vorcaro ou do Master. As decisões foram assinadas em 19 de dezembro e divulgadas posteriormente pela imprensa.

Fundos e parentes do ministro

Outro ponto que veio à tona foi a relação de empresas ligadas à família de Toffoli com um fundo de investimento associado a suspeitas envolvendo o Banco Master. Até meados de 2025, o Arleen Fundo de Investimentos manteve participação na Tayaya Administração e Participações, ligada a um resort no Paraná que pertencia parcialmente à família do ministro, e também na DGEP Empreendimentos, incorporadora que tinha como sócio um primo de Toffoli.

O Arleen foi cotista do fundo RWM Plus, que recebeu recursos relacionados ao Maia 95, citado pelo Banco Central em apurações sobre fraudes do Master. Apesar disso, o fundo não é alvo direto de investigação. Segundo autoridades, as suspeitas recaem sobre uma cadeia de fundos interligados, usada para movimentar recursos de forma irregular.

Esses fundos eram administrados pela Reag, gestora que também aparece ligada a fundos de Vorcaro e é investigada na Operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. O fundo, que tinha apenas um cotista, foi encerrado em 2024.

Situação atual do Banco Master

Enquanto isso, o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU) se reúnem para definir responsabilidades na liquidação extrajudicial do Banco Master e no andamento das investigações. O banco teve suas operações interrompidas em 18 de dezembro.

Daniel Vorcaro chegou a ser preso em novembro, mas foi solto dias depois, passando a cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo o Ministério Público Federal, o BRB injetou cerca de R$ 16,7 bilhões no Banco Master em pouco mais de um ano. Esse valor serviu de base para o bloqueio de contas de pessoas e empresas apontadas como envolvidas no esquema investigado.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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