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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, desembarca em Israel no fim de janeiro para participar de um evento internacional sobre combate ao antissemitismo. A viagem faz parte de uma missão oficial do Senado e será custeada com recursos públicos, incluindo passagens, diárias e despesas de deslocamento.

Pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro posta vídeo pela união da centro-direita (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil)
Pré candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro posta vídeo pela união da centro direita Foto Lula Marques Agência Brasil

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro será um dos oradores da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, marcada para os dias 26 e 27 de janeiro, em Jerusalém. O evento conta com apoio de integrantes do governo israelense e deve ter discurso do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A ida a Israel acontece em meio à tentativa de Flávio de se projetar no cenário internacional e se aproximar de lideranças da direita global, movimento visto como estratégico para fortalecer sua pré-candidatura ao Planalto.

Consolidação da candidatura

Jair Bolsonaro escolheu Flávio como seu nome para a disputa presidencial de 2026 com o objetivo de manter o capital político concentrado no núcleo do bolsonarismo. A decisão contrariou setores do centrão, que interpretaram a candidatura como uma forma de pressão por anistia. Em um primeiro momento, Flávio chegou a falar que teria um “preço” para levar a candidatura adiante, mas depois recuou e afirmou que a decisão é definitiva.

Pesquisas divulgadas em dezembro passaram a indicar crescimento do senador, que aparece em segundo lugar nas intenções de voto, atrás apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Evento e discurso político

De acordo com a programação oficial, a conferência discute temas como “teorias da conspiração antissemitas que prosperam na retórica dos movimentos políticos” e os impactos da imigração no aumento de ataques a comunidades judaicas na Europa. Apesar do caráter institucional da viagem, a assessoria de Flávio afirmou que sua participação terá foco em “diretrizes que pretende adotar em um eventual futuro governo” e na ampliação das relações bilaterais construídas durante o governo Bolsonaro.

O evento também reunirá outros nomes da direita internacional, como o ministro da Justiça da Argentina, Mariano Cuneo Libarona, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, e o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee. Flávio ainda deve participar de um jantar de gala reservado a autoridades.

Giro internacional e custos

Além de Israel, a comitiva do senador passará pelo Bahrein, entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro, e pelos Emirados Árabes Unidos, de 3 a 6 de fevereiro. A missão foi autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que liberou o custeio integral da agenda internacional.

O Senado autorizou 12 dias de missão oficial, com pagamento de diárias no valor de US$ 656,46 por dia. No total, Flávio Bolsonaro deverá receber cerca de US$ 7,9 mil, o equivalente a mais de R$ 42 mil. Os gastos com passagens aéreas ainda não foram informados, mas poderão ser apresentados até cinco dias úteis após o retorno.

Articulação com Eduardo Bolsonaro

O roteiro internacional, que deve durar cerca de 20 dias, está sendo coordenado por Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e principal interlocutor do bolsonarismo com a direita internacional. A agenda no exterior adiou a definição das estratégias finais da pré-campanha, que devem ser fechadas apenas em fevereiro.

Desde o anúncio da pré-candidatura, Flávio também esteve nos Estados Unidos, onde participou de eventos religiosos e tentou se reunir com integrantes do governo Donald Trump. A movimentação ocorre em um momento em que o bolsonarismo tenta recuperar espaço após derrotas recentes no cenário internacional e a aproximação do governo Trump com o presidente Lula.

Cenário eleitoral

Apesar do avanço nas pesquisas, Lula segue na liderança. Em levantamento da Genial/Quaest divulgado em 14 de janeiro, o petista aparece com 36% das intenções de voto, contra 23% de Flávio Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), surge em terceiro, com 9%. Em cenários de segundo turno, Lula vence os adversários, embora com diferença menor diante de Tarcísio.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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