0

O escritório de advocacia fundado pelo ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski manteve um contrato ativo com o Banco Master por quase dois anos depois de ele assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 250 mil por serviços de consultoria jurídica e institucional.

O presidente Lula e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski: uma das razões da saída foi a associação de seu nome ao Banco Master. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Lula e o ex ministro da Justiça Ricardo Lewandowski uma das razões da saída foi a associação de seu nome ao Banco Master Foto Marcelo CamargoAgência Brasil

O contrato foi firmado em agosto de 2023 e seguiu em vigor até setembro de 2025. Nesse período, Lewandowski já estava há 21 meses no ministério, cargo que assumiu em janeiro de 2024. No total, o escritório recebeu cerca de R$ 6,5 milhões brutos, sendo R$ 5,25 milhões após a entrada do ex-ministro no governo federal.

Ao assumir o ministério, Lewandowski se retirou formalmente da sociedade de advogados, em janeiro de 2024, e suspendeu seu registro na OAB. A banca passou a ser administrada por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski, que permaneceram à frente do contrato com o banco.

Segundo apuração da imprensa, uma das funções previstas no acordo era a participação em reuniões do Comitê Estratégico do Banco Master. No entanto, Lewandowski teria comparecido a apenas dois encontros durante todo o período contratual. Após sua saída, o escritório passou a ser representado por Enrique Lewandowski, que, conforme apurado, não teria apresentado entregas relevantes ao banco, mesmo com a continuidade dos pagamentos.

A contratação teria ocorrido após indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que confirmou ter sugerido o nome de Lewandowski ao banco. Em nota, o senador afirmou:

“Apesar da barrigada da matéria sobre a contratação de Guido Mantega pelo Banco, da qual jamais participou, neste caso o senador Jaques Wagner foi consultado sobre um bom jurista e lembrou de Ricardo Lewandowski, que havia acabado de deixar o Supremo Tribunal Federal. Seguramente, o Banco achou a sugestão adequada e o contratou”.

Por meio de sua assessoria, Lewandowski declarou que deixou completamente a advocacia ao aceitar o convite para integrar o governo.

“O ministro Ricardo Lewandowski, depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”, diz a nota.

“Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”.

A defesa de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, afirmou que as contratações seguiram critérios técnicos e regulares:

“A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que a contratação de consultores pelo Banco Master ocorreu dentro de parâmetros profissionais, regulares e técnicos”.

O caso chama atenção também pelo contraste com as recentes críticas públicas feitas pelo presidente Lula ao banco. Em evento em Maceió, o presidente afirmou que “falta vergonha na cara” para quem defende o Banco Master e acusou a instituição de envolvimento em um rombo bilionário.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões neste país”, declarou Lula.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

Você também pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em Política