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A confirmação de um novo surto do vírus Nipah na Índia voltou a ligar o sinal de alerta entre autoridades de saúde e especialistas do mundo todo. Segundo informações oficiais, cinco pessoas estão internadas e mais de 100 tiveram que ser colocadas em quarentena como medida preventiva.

Vírus Nipah Imagem: National Institute of Allergy and Infectious Diseases/Unsplash
Vírus Nipah
Imagem National Institute of Allergy and Infectious DiseasesUnsplash

O Nipah é considerado um dos vírus mais perigosos monitorados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele integra a lista de patógenos prioritários da entidade por ter potencial de causar grandes surtos globais. Um dos principais motivos de preocupação é a alta taxa de letalidade: estimativas indicam que entre 40% e 75% dos infectados não sobrevivem à doença.

Atualmente, não há medicamentos específicos nem vacina contra o vírus. Conforme a própria OMS informa:

“Não existe tratamento ou vacina disponível para pessoas ou animais. O principal tratamento para humanos é o suporte clínico”.

Outro ponto que preocupa os especialistas é o fato de já haver registros de transmissão entre humanos. Até agora, esses casos ocorreram em ambientes hospitalares, geralmente envolvendo contato direto e próximo com secreções respiratórias de pacientes infectados.

A infecção costuma evoluir de forma rápida e agressiva, atingindo principalmente o sistema nervoso e o respiratório. Em situações mais graves, o quadro pode incluir inflamação cerebral, convulsões, coma e morte.

O vírus tem origem animal e é transmitido aos humanos principalmente por meio do contato com secreções contaminadas. O principal hospedeiro natural é o morcego-das-frutas, que elimina o patógeno pela saliva, urina e fezes. A contaminação pode ocorrer, por exemplo, pelo consumo de frutas ou seiva de árvores contaminadas.

Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça intensa, dores no corpo, náuseas, vômitos, confusão mental e dificuldade para respirar, podendo evoluir para encefalite e insuficiência respiratória.

O potencial pandêmico do Nipah também já foi tema de alertas internacionais. Em 2021, a pesquisadora Sarah Gilbert, uma das responsáveis pela vacina de Oxford contra a Covid-19, destacou o risco de o vírus causar uma crise ainda mais grave caso passe a se espalhar com mais facilidade entre pessoas.

“Aprendemos que em uma pandemia podemos fazer tudo mais rápido e melhor, e queremos aplicar essas lições, mas precisamos de financiamento. Temos que ter estoques de vacinas contra os patógenos que já conhecemos. Imagine se tivermos, de repente, um grande surto de Nipah que se espalhe ao redor do mundo?”, afirmou. Segundo ela, o desenvolvimento de uma vacina contra o Nipah ainda está distante de ser concluído.

Diante desse cenário, autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância, do isolamento de casos suspeitos e do investimento em pesquisa para evitar que o vírus se torne uma nova ameaça global.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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