A ex-ministra da Suprema Corte do Chile, Ángela Vivanco, foi presa neste domingo (25), em Santiago, suspeita de envolvimento em um amplo esquema de corrupção. Ela é acusada de suborno, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, crimes ligados ao escândalo conhecido como “Boneca Bielorrussa” e também ao chamado “Caso dos Áudios”.

Foto Pedro Mora BritoWikimedia Commons
As investigações avançaram após a análise de mensagens trocadas entre Vivanco e o advogado Luis Hermosilla, figura influente no meio jurídico chileno e ex-aliado do ex-presidente Sebastián Piñera. Segundo os investigadores, as conversas indicariam a atuação da ex-magistrada dentro de uma rede criminosa. Após a prisão, Vivanco foi levada ao Centro de Justiça de Santiago, onde permanece à disposição das autoridades para a formalização da acusação.
O caso ganhou repercussão em setembro de 2024, quando Vivanco se tornou a segunda ministra da Suprema Corte a perder o cargo em 25 anos. Além dela, também passaram a ser investigados o marido, Gonzalo Migueles, e os advogados Mario Vargas e Eduardo Lagos.
No escândalo da “Boneca Bielorrussa”, a suspeita é de que Vivanco tenha recebido pagamentos ilegais da empresa Belaz Movitec SpA — formada por uma companhia chilena e outra da Bielorrússia — para favorecer a empresa em uma disputa judicial contra a estatal chilena Codelco. As apurações indicam que cerca de US$ 57 milhões teriam sido repassados por meio do marido da ex-ministra, que atuava como sócio no esquema. Durante um período em que presidiu a Suprema Corte de forma extraordinária, Vivanco anulou uma decisão favorável à estatal e determinou o pagamento de US$ 25 milhões à empresa privada.
Já o “Caso dos Áudios” investiga um esquema de tráfico de influência liderado por Hermosilla, envolvendo empresários, políticos e integrantes do Judiciário. Gravações analisadas pela Promotoria indicam articulações para a indicação de Vivanco à Suprema Corte. Entre 2018 e 2024, ela teria atuado em processos que beneficiaram interesses ligados ao advogado.
A situação da ex-ministra se agravou após declarações do ex-deputado Gabriel Silber, que decidiu colaborar com o Ministério Público. Ele afirmou que Vivanco demonstrou preocupação com a possibilidade de vazamento das mensagens e teria defendido a destruição dos registros.
Em sua defesa, Ángela Vivanco nega qualquer irregularidade e afirma:
“Os casos em que julguei, julguei com plena convicção do que estava julgando. Especialmente neste caso Belaz Movitec, que passou pelo tribunal diversas vezes, e em todas as instâncias, as decisões foram por ampla maioria ou unanimidade. Nenhum dos casos foi decidido diretamente por mim, e em todos eles, os demais juízes concordaram por maioria ou mesmo por unanimidade.”
Ela também sustenta que sua atuação foi independente ao longo dos seis anos no cargo e diz que suas decisões foram “completamente independentes de advogados que eu conhecia, amigos advogados, advogados que encontrei ao longo do caminho, e também da minha família, porque nenhum deles participou ou jamais teve qualquer influência em qualquer caso de que eu tivesse conhecimento“.










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