Ex-deputada já havia tido extradição aprovada em outro processo, por invasão ao sistema do CNJ; defesa vai recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação

ROMA — A Justiça da Itália acolheu nesta quinta-feira (16) o pedido do Brasil para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli no caso da condenação por porte ilegal de arma, em um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Da decisão, ainda cabe recurso.
Este é o segundo caso em que a Justiça italiana autoriza a extradição da ex-parlamentar. Em março, a corte já havia aceitado um pedido de extradição relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Zambelli está presa na Itália desde 29 de julho de 2025.
O caso do porte ilegal de arma
O episódio que gerou a condenação ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando a então deputada perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, após uma discussão política. Imagens da ex-deputada correndo com uma pistola em punho circularam amplamente e levaram à abertura de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).
O STF condenou Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
Defesa vai recorrer
O advogado italiano de Carla Zambelli, Pieremílio Sammarco, afirmou ter recebido a sentença com surpresa, uma vez que, segundo ele, o tribunal sempre falou em um julgamento único. Sammarco disse que o tribunal não informou quando os casos foram separados e acrescentou que vai recorrer imediatamente da decisão ao Supremo Tribunal de Cassação, a mais alta instância da Justiça italiana.
O outro caso: invasão ao CNJ
Em um processo distinto, envolvendo a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Justiça italiana já havia decidido pela autorização da extradição. Nesse episódio, as investigações apontaram que a ex-deputada atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos na base de dados do CNJ.
Entre os documentos incluídos no sistema estava um suposto mandado de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão nesse caso.
Próximos passos
Nos dois casos, depois de todos os recursos analisados pela Justiça italiana, a palavra final sobre a extradição de Zambelli será do governo italiano. Cabe ao Ministério da Justiça da Itália avaliar os elementos para a extradição.
Brasil e Itália têm um tratado recíproco de extradição em vigor desde 1993, que já foi acionado dezenas de vezes. O primeiro artigo do tratado determina que os dois países ficam obrigados a entregar, um ao outro, pessoas que sejam procuradas — seja para levar a julgamento ou para cumprir pena restritiva de liberdade.
Histórico
Zambelli tem cidadania italiana e deixou o Brasil em maio do ano passado pela fronteira com a Argentina. Antes de chegar à Itália, ela também passou pelos Estados Unidos. Como fugiu do país após condenações do STF, é considerada foragida da Justiça brasileira.
O STF formalizou o pedido de extradição, assinado pelo relator dos casos, ministro Alexandre de Moraes. Zambelli permanece presa em Roma porque as autoridades italianas entendem que há risco de fuga.
O Supremo Tribunal Federal também ordenou, em dezembro, a cassação do mandato de Zambelli, revogando decisão contrária da Câmara dos Deputados. Ela entregou uma carta de renúncia à Casa três dias depois.
Onde Zambelli está presa
A ex-deputada está em um presídio nos arredores de Roma que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta, dividido em oito seções. Ela aguarda a conclusão dos trâmites legais para saber se será extraditada ao Brasil para cumprir as penas.
O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que os recursos forem julgados pelas cortes italianas.








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