Cinco pessoas morreram na batida envolvendo quatro veículos na SC-355; polícia aponta que condutor do segundo Gol deixou o local sem prestar ajuda às vítimas

VIDEIRA (SC) — Um dia após o grave acidente que vitimou cinco pessoas na rodovia SC-355, entre Videira e Iomerê, no Oeste de Santa Catarina, a Polícia Civil divulgou novos detalhes sobre a investigação. O motorista do segundo Gol envolvido na batida, que deixou o local antes da chegada das autoridades, será indiciado por omissão de socorro.
O acidente ocorreu no domingo (12), por volta das 18h, em meio a chuva e baixa visibilidade. A colisão envolveu quatro veículos e resultou na morte de uma família inteira: o casal Karine Tasca (27) e Wilhan Panigaz (27), os dois filhos do casal (de 1 e 6 anos) e o amigo Adriano Fernandes Devens (40), que estava na carona do Gol onde estavam as vítimas.
Motorista fugiu do local
Segundo o delegado Gilmar Bonamigo, o condutor do segundo Gol foi visto por dois ciclistas deixando o local do acidente momentos após a batida. A Polícia Militar conseguiu identificá-lo, foi até sua casa e o conduziu à delegacia.
“Ele irá responder por omissão de socorro. A lei é clara: todo motorista que se envolve em acidente com vítimas tem o dever de permanecer no local, prestar ajuda e aguardar as autoridades. Ele fez o oposto”, afirmou o delegado.
Versão do suspeito contradiz provas
Em depoimento, o motorista negou ter sido responsável pelo acidente e afirmou que foi o último a bater nos carros. Segundo sua versão, ele estava sendo ultrapassado por um veículo que tentou fazer duas ultrapassagens consecutivas e se deu de frente com um quarto veículo que vinha em sentido contrário.
“Teria se assustado e pegou a parte traseira de um veículo, diz ele, o Golf amarelo. Esse Golf acabou rodando pela pista e atingiu, então, o veículo que se dirigia em sentido contrário”, relatou o delegado, reproduzindo a fala do suspeito.
No entanto, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) trabalha com uma versão diferente. A suspeita é que o segundo Gol tentou realizar uma ultrapassagem, colidiu lateralmente com o carro da família, que perdeu o controle, invadiu a pista contrária e bateu em um T-Cross. Um Golf também foi atingido.
“Ele bateu em razão do acidente que houve na sua frente. Estava chovendo, tinha pouca visibilidade, era a versão dele. O veículo dele, de fato, não possuía muitos danos, enquanto os outros estão bem danificados. O que significa que, enfim, não há prova suficiente para confirmar a versão dele”, afirmou Bonamigo.
Estado de saúde dos feridos
Além dos cinco mortos, quatro pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas ao Hospital Salvatoriano Divino Salvador:
- No Golf: um homem e uma mulher, ambos de 59 anos, com ferimentos pelo corpo;
- No T-Cross: o motorista de 59 anos e uma passageira de 53 anos.
As vítimas permanecem internadas, mas não há informações atualizadas sobre o estado de saúde delas. A reportagem tentou contato com o hospital, mas não obteve retorno até a última atualização.
Enterro e comoção
Os corpos das cinco vítimas foram velados e sepultados na segunda-feira (13) em Treze Tílias, cidade onde a família residia. O enterro foi marcado por muita comoção, com dezenas de amigos e familiares prestando as últimas homenagens.
Wagner Turke, amigo próximo do casal, emocionou-se ao falar sobre a perda. “Pessoas iguais a eles são difíceis de achar. Coração enorme os dois, gigante mesmo. Uma mãe fantástica, um pai de tirar o chapéu”, disse.
A empresa Bodinho Transportes, onde Wilhan e Adriano trabalhavam, também se manifestou. “Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares e amigos, expressando nossos mais sinceros sentimentos. Que encontrem conforto e força para enfrentar esta perda irreparável”, escreveu em nota.
O que falta esclarecer
A Polícia Civil segue investigando o caso e aguarda os laudos periciais para esclarecer pontos fundamentais:
- A dinâmica exata da colisão;
- A responsabilidade de cada motorista envolvido;
- Se houve falha mecânica ou excesso de velocidade;
- Se o motorista do segundo Gol teve participação direta na causa do acidente.
O delegado Bonamigo afirmou que novas testemunhas serão ouvidas nos próximos dias. O laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) deve ficar pronto em até 30 dias.
O que diz a lei
A omissão de socorro é crime previsto no artigo 304 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A pena para quem deixa de prestar socorro à vítima de acidente de trânsito pode variar de 6 meses a 1 ano de detenção, além da suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir.
Caso seja comprovada a participação do motorista na causa do acidente, ele poderá responder também por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), cuja pena pode chegar a 4 anos de reclusão.
O caso continua em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que os laudos forem concluídos.








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