O Brasil acaba de conquistar um marco no combate à dengue. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) finalizou a análise técnica da Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a doença em todo o mundo. A etapa administrativa para registro definitivo será concluída nos próximos dias, após a assinatura do Termo de Compromisso entre a agência e o Instituto Butantan nesta quarta-feira (26), em São Paulo.

Segundo a Anvisa, o imunizante cumpriu todos os padrões exigidos de segurança, eficácia e qualidade, o que já permite ao governo preparar sua incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). A data de início da vacinação ainda não está definida, mas o país já conta com mais de 1 milhão de doses prontas, produzidas antecipadamente pelo próprio Butantan.
Para o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a decisão é respaldada pelos resultados obtidos. “A vacina demonstrou eficácia elevada, em torno de 75% contra a doença e acima de 90% para formas graves e hospitalizações”, afirma. Ele destaca ainda a vantagem estratégica da produção nacional: “Além da eficácia, temos o benefício de ser uma vacina produzida no país. Isso facilita o acesso e a escala de distribuição”.
A Butantan-DV passou por um acompanhamento de cinco anos no estudo clínico de fase 3, que contou com mais de 16 mil voluntários de 14 estados. Entre pessoas de 12 a 59 anos, a eficácia geral ficou em 74,7%, com 91,6% de proteção contra casos graves ou com sinais de alarme e 100% contra hospitalizações. Os testes também mostraram que ela é segura para quem já teve dengue e para quem nunca foi infectado. As reações relatadas foram, em sua maioria, leves, como dor no local da aplicação, dor de cabeça e cansaço.
Um dos maiores diferenciais do imunizante é justamente a dose única, o que facilita campanhas, aumenta a adesão da população e acelera a cobertura vacinal em períodos críticos. Segundo Kfouri, o desempenho é comparável ao da vacina da Takeda, já disponível no Brasil. “Os resultados são muito semelhantes aos da vacina da Takeda. A grande diferença é justamente a possibilidade de aplicar apenas uma dose, o que tem impacto direto na cobertura vacinal”, explica.
A expansão para outras faixas etárias já está no radar. A Anvisa autorizou estudos para pessoas de 60 a 79 anos, e dados adicionais serão avaliados para incluir crianças de 2 a 11 anos — grupo em que os ensaios iniciais também indicam segurança.

Agora, o Ministério da Saúde decide quando a vacinação começa e como as doses serão distribuídas pelo país. Enquanto isso, o Butantan já se prepara para ampliar sua capacidade, graças a uma parceria com a empresa chinesa WuXi, que deve garantir cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.








Comentários