O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está preso no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, em Nova York — uma penitenciária federal que ficou conhecida mundialmente pelas péssimas condições internas e que já foi descrita por advogados e autoridades como um verdadeiro “inferno na Terra”.
Após ser capturado em Caracas, na madrugada de sábado (3), em uma operação militar dos Estados Unidos, Maduro foi levado de avião até o navio USS Iwo Jima. Depois, passou pela Base Naval de Guantánamo, em Cuba, até chegar a Nova York, onde foi apresentado à DEA e encaminhado ao MDC. A esposa dele, Cilia Flores, também está detida no mesmo local enquanto ambos respondem às acusações de narcotráfico e narcoterrorismo.
Em um dos primeiros registros após a chegada aos EUA, Maduro apareceu algemado, escoltado por agentes antidrogas, usando gorro, casaco esportivo e sandálias com meias. Em tom irônico, disse: “Good night quer dizer ‘buenas noches’, não é? Good night! Happy New Year!”.

Uma prisão vertical no coração do Brooklyn
O MDC é um grande prédio de concreto e aço, com vários andares, localizado próximo ao porto de Nova York e a cerca de cinco quilômetros de pontos turísticos como a Quinta Avenida e o Central Park. Inaugurado nos anos 1990, o presídio foi construído para reduzir a superlotação do sistema carcerário da cidade.
A unidade abriga homens e mulheres que aguardam julgamento nos tribunais federais de Manhattan e do Brooklyn, além de presos já condenados a penas curtas. Atualmente, é a única prisão federal em funcionamento na cidade, após o fechamento de uma unidade em Manhattan em 2021.
O complexo é cercado por barricadas metálicas, câmeras de longo alcance e conta com corredores internos que ligam diretamente a prisão aos tribunais, evitando a exposição pública dos detentos. Apesar de possuir áreas externas para exercícios, setor médico e até biblioteca, a realidade nas celas é dura: os presos passam a maior parte do dia confinados em espaços pequenos.
Superlotação, falta de pessoal e violência
Embora tenha sido projetado para cerca de mil detentos, o MDC já chegou a abrigar 1.600 pessoas. Atualmente, segundo dados oficiais, são mais de 1.300 presos. O problema se agrava pela escassez de funcionários: a unidade chegou a operar com apenas 55% do efetivo necessário.
Essa combinação contribuiu para sucessivas brigas, agressões e mortes. Entre 2021 e 2024, ao menos quatro detentos cometeram suicídio. Em junho de 2024, um preso foi morto a facadas dentro da unidade.
Além disso, o prédio enfrenta sérios problemas estruturais. Em 2019, uma pane elétrica deixou os internos dias sem aquecimento durante o inverno rigoroso de Nova York.
A procuradora-geral do estado, Letitia James, já criticou duramente a situação. “As condições no MDC são inaceitáveis e desumanas”, afirmou. “Estar preso não deveria implicar a negação de direitos humanos.”
Advogados que atuam no local reforçam a denúncia. Para o defensor Edwin Cordero, a prisão representa o próprio “inferno na Terra”. Já David Patton, ex-chefe da Defensoria Pública Federal de Nova York, relatou problemas que vão desde falta de atendimento médico até “vermes na comida, falhas graves de saneamento e violência constante”.
A gravidade da situação levou até juízes a evitarem o envio de réus para o local. Em 2024, o juiz Gary Brown chegou a ameaçar substituir uma pena de prisão por prisão domiciliar, caso um idoso condenado fosse enviado ao MDC. Segundo ele, o ambiente é marcado por “anarquia” e “gestão inaceitável e letal”.
Prisão marcada por escândalos e detentos famosos
O MDC também já esteve no centro de escândalos de corrupção. Em março do ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA denunciou 25 pessoas, entre presos e ex-funcionários, por esquemas de contrabando e violência dentro da unidade.
Apesar da fama negativa, a prisão é usada para custodiar detentos de alta notoriedade. Antes de Maduro, o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández ficou mais de três anos no local, até ser condenado por narcotráfico. O ex-secretário de Segurança do México, Genaro García Luna, também passou por lá.
Entre outros nomes conhecidos estão Joaquín “El Chapo” Guzmán, Ismael “El Mayo” Zambada, o mafioso John Gotti, integrantes da Al Qaeda presos após o 11 de Setembro, além de Ghislaine Maxwell, Sam Bankman-Fried e Michael Cohen.
Até o rapper Sean “Diddy” Combs esteve detido no MDC antes de ser transferido para outra unidade.
Agora, é nesse mesmo cenário de denúncias, superlotação e caos que Nicolás Maduro aguarda os próximos passos de seu processo na Justiça dos Estados Unidos.










Comentários