Os protestos em massa que varrem o Irã desde o fim de 2025, impulsionados por uma crise econômica profunda no país, têm o potencial de desencadear efeitos em cadeia nas relações internacionais — especialmente entre os Estados Unidos e a China — e, por extensão, abalar a economia global.
A agitação interna no Irã, iniciada em dezembro de 2025 em meio à inflação alta, queda da moeda e insatisfação generalizada com a economia, já provocou uma forte repressão estatal que, conforme relatos, deixou centenas de mortos e milhares de detidos.

Tarifas dos EUA ampliam tensão comercial
Em meio ao aumento da violência e instabilidade no Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que qualquer país que mantenha relações comerciais com a República Islâmica terá de arcar com uma tarifa de 25% sobre todo o comércio com os Estados Unidos, num movimento alinhado com sua resposta às manifestações e à política iraniana.
A medida, divulgada em redes sociais, não detalhou ainda como será aplicada, mas tem impacto direto em países que ainda mantêm trocas com Teerã — especialmente a China, que historicamente é o maior parceiro comercial do Irã, incluindo importação de petróleo.
China reage e promete retaliação
Pequim reagiu com firmeza ao anúncio, dizendo que “guerras tarifárias e guerras comerciais não têm vencedores” e que tomará todas as medidas necessárias para “salvaguardar seus direitos e interesses legítimos”. Essa postura reflete uma forte oposição da China a sanções extraterritoriais e sugere que o país poderá ampliar contramedidas para proteger suas empresas e mercados.
Como maior economia exportadora do mundo e um dos principais parceiros comerciais dos EUA, a China já viveu momentos de grandes tensões tarifárias com Washington. A reativação de barreiras comerciais pode reforçar temores de uma nova escalada de protecionismo, revivendo cenas de uma guerra comercial que já mexeu com cadeias de suprimentos globais no passado.
Impactos econômicos ampliados
Analistas e mercados financeiros já observam que um choque tarifário dessa magnitude pode alterar fluxos comerciais e a confiança dos investidores. Setores ligados a petróleo, manufatura e mercados emergentes podem sofrer com aumento de custos e interrupções em cadeias globais de fornecimento, especialmente se grandes parceiros como China, Índia e Emirados Árabes Unidos forem diretamente afetados.
Além disso, preços do petróleo e a estabilidade das bolsas globais também ficam vulneráveis diante da incerteza sobre possíveis cortes de oferta ou interrupções no petróleo exportado pelo Irã, um produtor relevante apesar das sanções.
Do protesto ao cenário geopolítico
A crise interna do Irã — alimentada por uma combinação de miséria econômica e repressão — já ganhou destaque internacional, com governos europeus planejando sanções próprias e o regime afirmando que está “totalmente preparado para a guerra” caso haja interferência externa.
Todo esse contexto cria um nó geopolítico complexo: movimentos sociais dentro do Irã podem desencadear respostas que vão além de medidas econômicas, abrindo espaço para tensões diplomáticas mais amplas entre potências e elevando o risco de instabilidade nos mercados financeiros e no comércio global.
Em suma, o que começou como um movimento de protesto interno pode se transformar em um catalisador de tensões internacionais, colocando em xeque não apenas a relação entre Estados Unidos e China, mas também o equilíbrio de fluxos comerciais e a confiança dos investidores em um momento já delicado para a economia mundial.








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