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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (28) a criação de um novo programa voltado a recém-nascidos, batizado de “Trump accounts”. A iniciativa faz parte de um pacote de medidas do governo voltadas à economia e à ampliação do acesso ao sistema financeiro, sob coordenação do Departamento do Tesouro americano.

O presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
O presidente dos EUA Donald Trump Foto REUTERSJonathan Ernst

Pelo plano, bebês nascidos durante o atual governo poderão receber um depósito inicial de US$ 1.000 — cerca de R$ 5,2 mil — desde que os pais abram uma conta em nome da criança. O valor será investido automaticamente no mercado de ações por bancos e corretoras privadas, principalmente em fundos de índice que acompanham o desempenho da bolsa americana.

O dinheiro ficará bloqueado até que a criança complete 18 anos e só poderá ser usado para finalidades específicas, como pagar estudos universitários, abrir um negócio ou dar entrada na compra de um imóvel. Mesmo após o resgate, os valores estarão sujeitos à cobrança de impostos.

Segundo apoiadores do programa, a proposta busca criar uma porta de entrada para o mercado financeiro e ajudar crianças, especialmente de famílias de baixa renda, a formar patrimônio desde cedo.

Como funciona o investimento

Depois da abertura da conta por um dos responsáveis, o Tesouro dos EUA faz o aporte inicial de US$ 1.000. A gestão do dinheiro ficará a cargo de instituições privadas, que poderão cobrar taxas anuais de até 0,10%. Os recursos deverão ser aplicados em fundos de índice ligados ao mercado de ações dos Estados Unidos.

Além do valor inicial do governo, os pais poderão contribuir com até US$ 2.500 por ano. Empregadores, parentes, amigos, governos locais e entidades filantrópicas também poderão fazer depósitos. No total, as contribuições anuais têm limite de US$ 5.000, sem contar doações feitas por governos ou instituições de caridade.

Quem tem direito ao bônus

O depósito inicial de US$ 1.000 será exclusivo para bebês nascidos entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2028. Para participar, a criança precisa ser cidadã americana, ter número de Seguro Social e ter a conta aberta por um dos pais, independentemente do status migratório do responsável.

Crianças mais velhas, nascidas antes de 2025, não terão direito ao bônus do Tesouro, mas ainda poderão ter contas abertas, desde que tenham menos de 18 anos, com possibilidade de aportes feitos pela família.

Iniciativas paralelas e contexto

Em dezembro, os bilionários Michael e Susan Dell anunciaram uma doação de US$ 6,25 bilhões para um programa semelhante, que permitirá que algumas crianças de até 10 anos recebam US$ 250 como valor inicial. O benefício será destinado a famílias com renda anual de até US$ 150 mil e que não se enquadrem nas regras das “Trump accounts”.

Defensores da medida afirmam que a proposta fortalece o capitalismo e amplia a participação da população no mercado financeiro, em um cenário em que ideias mais à esquerda ganham espaço no debate público. Dados da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA indicam que, em 2022, apenas 58% das famílias americanas tinham ações ou títulos, enquanto o 1% mais rico concentrava quase metade desses ativos.

Antes do anúncio de Trump, estados como Califórnia, Connecticut e o Distrito de Columbia já testavam modelos parecidos, conhecidos como “baby bonds”, voltados principalmente a jovens em situação de vulnerabilidade. A diferença é que esses programas são administrados pelo poder público, e não por empresas privadas.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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