A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo descartou que a morte da adolescente venezuelana Soffia Del Valle Torrealba Ramos, de 15 anos, tenha sido causada por ingestão de bebida adulterada com metanol. A conclusão veio após análises clínicas que não identificaram sinais compatíveis com esse tipo de intoxicação.

A principal hipótese foi afastada pela ausência de acidose, condição comum em casos de metanol no organismo. O quadro apresentado pela adolescente é considerado compatível com intoxicação grave por medicamento controlado. A suspeita inicial surgiu após a ficha médica do hospital apontar possível consumo de bebida adulterada, o que levou a Polícia Civil a abrir investigação.
O caso foi registrado como morte suspeita a esclarecer pelo 54º Distrito Policial (Cidade Tiradentes), na Zona Leste da capital. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde, por meio da Covisa, informou que “para o caso envolvendo a paciente S.D.V.T.R. foi descartada intoxicação por metanol.”
Além desse episódio, outros 563 casos também foram descartados para metanol no estado. Atualmente, quatro mortes seguem sob investigação, envolvendo pacientes de Guariba (39 anos), São José dos Campos (31 anos) e Cajamar (29 e 38 anos). No total, São Paulo já soma 51 casos confirmados de intoxicação por metanol, com 11 mortes. A vítima mais jovem confirmada até agora tinha 16 anos, moradora do Itaim Bibi, em ocorrência registrada em 7 de agosto.
Testemunhas relataram que Soffia passou mal após beber gin comprado por amigos em uma adega de Cidade Tiradentes, na quinta-feira (1º). Na segunda-feira (5), o dono do estabelecimento foi preso por ligação clandestina de energia elétrica e armazenamento irregular de fogos de artifício. No local, a polícia apreendeu diversas bebidas destiladas, como uísque, gin, rum e vodka.
Prisões e apreensões
A Polícia Civil de São Paulo, por meio do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), informou que as investigações continuam para identificar toda a cadeia de produção e distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas no estado. Desde o início dos casos, 46 pessoas foram presas, somando 66 prisões em 2025.
As operações também resultaram na apreensão de 140 mil vasilhames, 22,5 mil garrafas e 481,5 mil itens usados na falsificação, como rótulos e lacres. Segundo o Instituto de Criminalística, em 149 apurações concluídas envolvendo 1.055 garrafas, a presença de metanol foi confirmada em oito investigações, totalizando 19 garrafas contaminadas.










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