Uma ex-funcionária de uma creche particular no bairro Solo Sagrado, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, decidiu alertar uma mãe sobre possíveis maus-tratos contra o filho dela, de dois anos, diagnosticado com autismo nível 2. Para chamar atenção, a mulher colocou um bilhete dentro da mamadeira da criança, entregue na sexta-feira (12).

No recado, a ex-funcionária escreveu: “Me chama, preciso falar com você urgente sobre os cuidados do seu filho”. A mãe contou que não percebeu o papel no momento, mas acabou sendo procurada pela berçarista nas redes sociais, que enviou fotos e vídeos da criança dentro da creche.
Em uma das imagens, o menino aparece dormindo, suado e, segundo a mãe, com fezes. Em outra, ele surge sozinho em uma sala vazia, preso a uma cadeira de alimentação, sem possibilidade de se levantar. De acordo com o relato feito pela ex-funcionária, a criança ficava isolada, em ambiente quente e sem refrigeração adequada.
Ainda segundo a denúncia, a alimentação das crianças seria mal armazenada, o local apresentaria condições precárias de higiene e estrutura inadequada, além de bebês dormindo no chão ou em colchões velhos e sujos.
A mãe afirmou que começou a desconfiar da situação após notar mudanças no comportamento do filho, que passou a apresentar atitudes agressivas incomuns, mesmo estando em tratamento e usando medicação regularmente. Para ela, o quadro é reflexo de negligência dentro da creche. “Ele é criança, fico muito revoltada, indignada, eu quero ir até o fim porque isso não se faz com nenhuma criança”, desabafou.
Além dela, outras três mães procuraram a delegacia no sábado (13) para registrar denúncias semelhantes. As famílias também buscaram orientação jurídica para tomar medidas na esfera criminal e civil.
O que diz a creche?
Em nota divulgada nas redes sociais, a direção da creche negou qualquer irregularidade e afirmou que as acusações não são verdadeiras. “As alegações veiculadas são inverídicas e carecem de qualquer fundamento fático ou comprovação”, diz o comunicado. A instituição afirma ainda que sempre manteve um ambiente seguro e acolhedor, com acesso livre dos pais às dependências, e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O caso segue sendo apurado pelas autoridades.








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