A promessa do presidente Lula (PT) de acabar com a fila do INSS não se cumpriu. Pelo contrário: a lista de espera mais que dobrou desde o início do governo. Em janeiro de 2023, cerca de 1,2 milhão de pessoas aguardavam a análise de benefícios. Em outubro, esse número saltou para 2,86 milhões, de acordo com dados oficiais do próprio INSS.

Imagem Eduardo MilitãoUOL10dez2025
Na fila estão pedidos de aposentadoria, pensão, Benefício de Prestação Continuada (BPC), salário-maternidade e perícias médicas para auxílio-doença. Em nota, o INSS afirmou que o aumento está ligado a mudanças na legislação e ao perfil da população. Segundo o instituto, essas alterações ampliaram o acesso aos benefícios, especialmente ao BPC, pago a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência.
“O crescimento do estoque de requerimentos trata-se de um desafio complexo, cuja resolução vai além das ações do INSS, pois a análise dos benefícios muitas vezes envolve outros órgãos. O INSS tem implementado diversas medidas com o objetivo de enfrentar essa situação, como a realização de mutirões e, mais recentemente, a criação de um comitê de enfrentamento à fila.”
Os dados mostram que a fila do BPC cresceu de forma significativa: passou de 511 mil pessoas em junho de 2023 para 898 mil em setembro deste ano. Já os pedidos de aposentadoria tiveram leve redução no período, caindo de 357 mil para 283 mil.
Outro gargalo é a perícia médica. A espera por esse tipo de atendimento praticamente dobrou, indo de 569 mil para 1,2 milhão de pessoas. O Ministério da Previdência, responsável pelas perícias, foi procurado pela reportagem, mas não explicou os motivos do aumento.
Enquanto isso, quem depende do benefício sente o impacto no dia a dia. Em uma agência do INSS na Asa Sul, em Brasília, usuários se aglomeraram em dezembro tentando atendimento pouco antes do encerramento do expediente. Entre eles, a dona de casa Elmira da Silva, de 76 anos, que teve o BPC suspenso após problemas na atualização cadastral.
Há dois meses sem receber o benefício, ela enfrenta dificuldades básicas para sobreviver.
“Meu filho ajuda um pouco e é o jeito, né? Tem que pagar aluguel, tem que comer, tem que comprar remédio.”
Apesar do crescimento da fila, o tempo médio de análise dos pedidos caiu. No fim do governo Temer, a espera era de 57 dias. Durante o governo Bolsonaro, subiu para 79 dias. Já na gestão Lula, a média recuou para 35 dias. Mesmo assim, benefícios como o BPC e as perícias médicas seguem entre os mais demorados, mantendo milhões de brasileiros à espera.








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