O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o Brasil não deve esperar um cenário tranquilo em 2026, ano de eleições. A declaração foi feita durante o encerramento do ano Judiciário de 2025, quando o magistrado reforçou o papel do Judiciário em manter a estabilidade democrática diante de pressões e conflitos.

Ao relembrar os embates recentes enfrentados pelo Supremo, Gilmar destacou que a Corte resistiu a tentativas de intimidação e manteve sua independência, mesmo diante de pressões internas e externas. Segundo ele, o STF seguiu firme na defesa da soberania nacional e da democracia brasileira.
O ministro foi direto ao falar sobre o próximo ano eleitoral. “Não devemos nos iludir, prezados colegas, de que teremos em 2026 – ano eleitoral – um ano fácil. Mas não queremos um ano fácil. O que queremos – e teremos – são a força e a firmeza necessárias para, enfrentando todos os desafios que se apresentarem, garantirmos um ano pacífico e feliz para o povo brasileiro”, afirmou.
Gilmar também ressaltou que divergências entre os Poderes fazem parte do jogo democrático e não devem ser vistas como ameaça. “Eventuais impasses e divergências entre Poderes são não apenas normais; eles são constitutivos de uma democracia. Portanto, o clima que deixamos neste crepúsculo de 2025, e com o qual ingressaremos em 2026, é de normalidade e de paz”, completou.
Julgamento da trama golpista
Durante o discurso, o ministro citou o julgamento da chamada trama golpista que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Gilmar Mendes, o processo teve grande repercussão internacional e cobrou um preço alto dos ministros do STF.
“Esse respiro de democracia que traz tranquilidade e sossego para nossas instituições e, sobretudo, para o nosso povo, já tão atribulado com desafios de toda ordem, foi logrado com um custo pessoal altíssimo por parte dos ministros desta Corte, e isso deve ser reconhecido e valorizado”, disse.
Ele reforçou que o Supremo não recuou em nenhum momento, mesmo sob forte pressão. “Apesar de todas as pressões, internas e externas — seja de governos estrangeiros, seja de grandes empresas transnacionais —, o Tribunal não se curvou a intimidações, nem admitiu que ataques minassem a independência do Poder Judiciário e a soberania do Brasil”, afirmou.
Gilmar encerrou destacando que a postura firme da Corte ajudou a reduzir tensões e consolidar a imagem do Brasil como referência na defesa da democracia. “Nossa resiliência e altivez inabaláveis levaram ao arrefecimento das tensões internacionais. Não transigimos em nosso propósito de cumprir estritamente nosso dever de garantir que o povo brasileiro, pelos contornos normativos da expressão de sua vontade, estabelecidos soberanamente na Constituição da República Federativa do Brasil, tenha a última palavra sobre os rumos de sua existência coletiva”.










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