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Depois da megaoperação que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, o governo do Rio de Janeiro já planeja voltar às mesmas comunidades ainda neste ano. Segundo informações apuradas, o Palácio Guanabara pretende realizar novas incursões antes de 2026 como parte de uma série de ações que já têm autorização judicial.

Além do Alemão e da Penha, estão no radar outras cinco favelas de grande influência do tráfico: Rocinha, Cidade de Deus, Complexo de Israel (que engloba Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta) e Maré. As operações devem seguir o mesmo modelo das anteriores, com foco em desarticular o poder financeiro das facções e atingir empresas suspeitas de envolvimento com lavagem de dinheiro.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Foto Ricardo MoraesReuters

Autoridades da área de segurança afirmam que as novas ações também vão mirar regiões de Jacarepaguá, apontada como uma das áreas mais afetadas pela expansão do Comando Vermelho. O plano faz parte das exigências do Supremo Tribunal Federal dentro do chamado “pacote da ADPF das Favelas”, que prevê a retomada de territórios dominados pelo crime.

Enquanto isso, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, se reuniu em Brasília com representantes de movimentos sociais para debater os rumos das operações no estado. Moraes também determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar o crime organizado no Rio, o objetivo é seguir o rastro do dinheiro e apurar como as facções e milícias lavam recursos e se infiltram no poder público.

Durante a audiência, Moraes ressaltou que o foco da nova fase será atingir a estrutura financeira das organizações criminosas, considerada o “coração” do problema da violência no Rio. Ele também cobrou do governo estadual o compartilhamento de informações sobre a megaoperação que terminou em outubro, exigindo que a Defensoria Pública tenha acesso aos laudos das perícias e à identificação das vítimas.

A Defensoria, por sua vez, afirmou que não conseguiu acompanhar o trabalho dos peritos nem teve acesso aos documentos da investigação, o que poderia garantir mais transparência ao caso. Com a pressão do STF e a promessa de novas ações nas favelas, o governo do Rio tenta mostrar força na guerra contra o crime, mas a população das comunidades ainda vive sob clima de tensão e incerteza sobre o que vem pela frente.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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