O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país irá responder de forma dura caso os Estados Unidos intervenham militarmente. Durante uma sessão, ele deixou claro que qualquer ataque americano terá consequências diretas. “Se os Estados Unidos lançarem um ataque militar, tanto os territórios ocupados quanto as bases militares e portuárias americanas serão alvos legítimos para nós”, declarou.

A fala veio depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, dizer que os EUA estariam dispostos a apoiar a população iraniana. Em publicação feita neste sábado (10/1), Trump escreveu: “O Irã está olhando para a liberdade, talvez como nunca antes. Os Estados Unidos estão prontos para ajudar!!!”, sem detalhar que tipo de apoio poderia ser oferecido.
Enquanto isso, os protestos continuam se espalhando por diversas regiões do Irã, mesmo com o aumento da repressão por parte das forças de segurança. Segundo a ONG Hrana, que monitora a situação dos direitos humanos no país, ao menos 65 pessoas morreram desde o início das manifestações — sendo 50 manifestantes e 15 integrantes das forças de segurança. O número de presos já chega a cerca de 2,3 mil.
As declarações de Trump reforçam um clima de tensão crescente. Um dia antes, ele já havia afirmado que o Irã estava “em sérios problemas” e voltou a sugerir a possibilidade de ataques militares.
O regime iraniano admite que pode intensificar a repressão aos protestos, considerados os maiores dos últimos anos. A Guarda Revolucionária, força de elite do país, classifica os atos como ações de “terroristas” e afirma que proteger prédios públicos é uma “linha vermelha”. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuindo o ato aos manifestantes.
A TV estatal também exibiu imagens de funerais de agentes de segurança que, segundo o governo, morreram durante confrontos em cidades como Shiraz, Qom e Hamedan. Já grupos de oposição divulgaram vídeos mostrando grandes aglomerações de manifestantes em praças da capital, Teerã. No entanto, o apagão de internet no país dificulta a confirmação da real dimensão dos atos.
As manifestações começaram em 28 de dezembro, motivadas inicialmente pela alta da inflação, mas rapidamente ganharam tom político, com pedidos pelo fim do regime clerical. As autoridades iranianas acusam Estados Unidos e Israel de estarem por trás da mobilização.








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