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O governo do Irã anunciou nesta quarta-feira (14) o fechamento do seu espaço aéreo para voos internacionais. A exceção vale apenas para aeronaves que tenham origem ou destino na capital, Teerã. A medida foi comunicada diretamente às companhias aéreas e rapidamente refletiu nos sistemas de monitoramento de tráfego aéreo, que passaram a registrar uma redução drástica de voos sobre o país.

Captura de imagem do site FlightRadar24 mostra espaço aéreo do Irã esvaziado em 14 de janeiro de 2025 — Foto: Reprodução/FlightRadar24
Captura de imagem do site FlightRadar24 mostra espaço aéreo do Irã esvaziado em 14 de janeiro de 2025 Foto ReproduçãoFlightRadar24

Por volta das 18h30 no horário de Brasília, plataformas especializadas mostravam poucas aeronaves cruzando o espaço aéreo iraniano. Algumas chegaram a mudar de rota no meio do trajeto para evitar sobrevoar a região. Um exemplo foi o voo UAE325, da Emirates, que saiu de Seul com destino a Dubai, mas deu meia-volta sobre o Turcomenistão. Outro caso foi o voo AUV7742, da FlyOne, que seguia de Medina para Tashkent e retornou ao passar pelo Golfo Pérsico.

A decisão ocorre em um momento de forte instabilidade política e militar. As tensões entre o Irã e os Estados Unidos aumentaram nos últimos dias, após o presidente Donald Trump indicar que avalia uma possível intervenção militar durante a onda de protestos que se espalha pelo país.

Antes mesmo do anúncio oficial do Irã, autoridades da Alemanha já haviam alertado suas companhias aéreas para evitarem a região. Segundo comunicado divulgado pelo Flightradar24, o aviso dizia: “Situação perigosa no Irã” e recomendava que aeronaves civis alemãs não entrassem na FIR Teerã (OIIX), citando “Risco potencial à aviação devido à escalada de conflitos e armamento antiaéreo.”

Na terça-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou acreditar que o regime iraniano vive seus momentos finais. “Presumo que agora estejamos testemunhando os últimos dias e semanas desse regime”, declarou. Em visita à Índia, ele afirmou que a repressão violenta contra manifestantes demonstra a perda de controle do governo. “Quando um regime só consegue manter o poder por meio da violência, então ele está efetivamente no fim. A população agora está se levantando contra esse regime”.

Enquanto isso, o número de vítimas da repressão continua crescendo. De acordo com a ONG Direitos Humanos no Irã (IHR), sediada na Noruega, mais de 3.400 pessoas morreram durante os protestos recentes. O levantamento aponta que ao menos 3.379 das vítimas eram manifestantes. Os dados se referem apenas ao período entre os dias 8 e 12 de janeiro e foram obtidos por meio de fontes internas do Ministério da Saúde iraniano.

Organizações internacionais alertam que o número real pode ser ainda maior, já que o governo iraniano impôs bloqueios à internet, dificultando a apuração independente. Relatos de ONGs, jornalistas e testemunhas apontam uso excessivo da força, execuções extrajudiciais e prisões em massa. Segundo a ONG norte-americana HRANA, mais de 18 mil pessoas já foram detidas.

Diante do cenário, Trump voltou a endurecer o discurso e afirmou que “a ajuda está a caminho”, enquanto avalia opções militares contra o Irã. A imprensa dos Estados Unidos trata a possibilidade de um ataque como iminente. Em resposta, o governo iraniano denunciou Washington à ONU, acusando os EUA de tentar criar um pretexto para promover uma mudança de regime no país.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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