O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, protagonizou mais um episódio fora do comum nesta segunda-feira (22). Durante uma feira comercial em Caracas, transmitida ao vivo pela TV estatal, ele apareceu dançando uma música tradicional venezuelana ao som de gaita ao lado de um robô com inteligência artificial. A apresentação descontraída aconteceu em um momento delicado, marcado pelo aumento das tensões entre o governo venezuelano e os Estados Unidos.
No mesmo evento, Maduro aproveitou o palco para ironizar o presidente americano, Donald Trump. Segundo ele, o líder dos EUA deveria se preocupar mais com os próprios problemas internos do que com a Venezuela.
“Penso que o presidente Trump poderia fazer melhor em seu país e no mundo. Ele estaria melhor no mundo se focasse nos problemas do seu próprio país. Não é possível que 70% dos seus discursos e declarações sejam [sobre] a Venezuela. E os Estados Unidos?”
Não é a primeira vez que Maduro recorre a momentos descontraídos em meio à crise política e econômica. Há cerca de um mês, ele também chamou atenção ao dançar durante um encontro com estudantes, ao som de um remix com falas dele próprio, afirmando entre risadas que “as ameaças” dos Estados Unidos não iriam detê-lo.

As cenas acontecem enquanto Washington endurece o tom contra Caracas. Na semana passada, Donald Trump anunciou um bloqueio total a embarcações que entram ou saem da Venezuela, alegando que o país estaria “completamente cercado”. Inicialmente, o governo americano afirmava que as operações militares no Caribe tinham como foco o combate ao narcotráfico.
Nesta segunda-feira (22), no entanto, Trump admitiu publicamente que uma mudança de regime na Venezuela pode estar no radar. Durante um evento na Casa Branca, ele afirmou que a melhor saída para Maduro seria deixar o poder.
“Isso depende dele, do que ele queira fazer. Acho que seria inteligente de sua parte fazer isso [renunciar]. Se ele quiser bancar o durão, será a última vez”.
Pouco antes, a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, reforçou o discurso em entrevista à Fox News, dizendo que Maduro “tem que sair”. Ao comentar sobre petroleiros venezuelanos interceptados, declarou:
“Não estamos apenas interceptando navios, mas também enviando uma mensagem ao mundo de que a atividade ilegal da qual Maduro participa não pode ser tolerada; ele tem que sair”.
As apreensões começaram no dia 10 e se intensificaram uma semana depois, quando Trump anunciou oficialmente o bloqueio naval. O governo venezuelano reagiu, classificando as ações como um grave ato de pirataria internacional.
A escalada também gerou reações internacionais. A China criticou duramente os Estados Unidos, afirmando que a “apreensão arbitrária” de navios viola o direito internacional e condenando o que chamou de sanções unilaterais e ilegais. A Rússia, aliada de Caracas, reiterou seu “total apoio” ao governo venezuelano.
Maduro é acusado pelos Estados Unidos de liderar o chamado Cartel de los Soles, organização ligada ao tráfico de drogas. O governo americano oferece uma recompensa de US$ 50 milhões — cerca de R$ 277 milhões — por informações que levem à sua captura. Segundo autoridades dos EUA, operações militares já destruíram cerca de 30 embarcações supostamente usadas para o tráfico no Caribe e no Pacífico oriental, com ao menos 104 mortes registradas.
Enquanto a pressão internacional aumenta, Maduro segue apostando em discursos provocativos e cenas performáticas, como a dança com o robô, para tentar transmitir normalidade e controle em meio a um dos momentos mais tensos de seu governo.








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