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O Marrocos vive uma situação de contrastes: ao mesmo tempo em que colhe frutos positivos no futebol, com destaque para o 4º lugar na Copa do Mundo de 2022, o bronze em Paris-2024, e uma vaga antecipada para a Copa de 2026, o país enfrenta uma onda crescente de protestos populares. Líderes jovens da Geração Z estão se mobilizando contra os investimentos bilionários destinados a sediar a Copa do Mundo de 2030, exigindo melhores condições de vida para a população.

O início das manifestações se deu após a morte de oito mulheres em um hospital marroquino, devido à falta de estrutura do sistema de saúde. A situação agravou-se com o aumento das reivindicações por melhores serviços públicos, geração de empregos e combate à corrupção. Jovens organizados pelo movimento anônimo “Gen Z 212” estão se posicionando contra o governo, que, segundo eles, prioriza investimentos em futebol enquanto a população sofre com a falta de recursos essenciais em áreas como saúde e educação.

A Copa de 2030 será realizada em uma parceria inédita entre seis países — Argentina, Paraguai, Uruguai, Espanha, Portugal e Marrocos — e o país africano sediará seis cidades. Estima-se que Marrocos gastará entre US$ 5 a 6 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões) apenas em custos diretos, sem contar as obras de infraestrutura. Além disso, o governo marroquino criou a Fundação Marrocos 2030, com um orçamento de R$ 90 bilhões, para administrar o evento.

Foto AFP

Por outro lado, o rei Maomé VI e a federação de futebol local defendem o evento como um motor de modernização econômica e turística para o país. O governo espera gerar até 120 mil novos empregos, aumentar o número de turistas e consolidar o Marrocos como uma potência esportiva no continente africano. Desde 2017, o país tem feito investimentos significativos na formação de jogadores e no aprimoramento da infraestrutura esportiva, o que tem se refletido nos bons resultados alcançados pelas seleções masculina e feminina.

No entanto, essa “Primavera dos Jovens” traz à tona uma divergência clara entre as expectativas governamentais, que enxergam no futebol uma ferramenta de progresso, e as demandas da juventude, que exige mais dignidade, justiça e oportunidades. Para muitos, os bilhões destinados a estádios e infraestrutura para a Copa poderiam ser melhor aplicados em áreas cruciais como saúde, educação e criação de empregos.

Fonte: Globo Esporte
Redação Diário do Povo – conteúdo verificado e adaptado.

Mariana Pontes
Jornalista , diretora de tv, co- apresentora de rádio . paraense, sempre ligada em notícias, nos momentos de lazer fico ao lado da família.

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