O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, recebeu aplausos ao defender salários mais altos para juízes durante o 19º Encontro Nacional do Poder Judiciário, realizado pelo CNJ nesta terça-feira (20). Diante de uma plateia formada por magistrados de todo o país, o ministro afirmou que o tema não deveria ser tratado como tabu. “Nós não podemos ter vergonha de defender uma remuneração digna. Transparente, obviamente, mas digna”, disse ele, que atualmente recebe R$ 46.366,19.

Moraes explicou que a falta de atratividade salarial tem levado magistrados a deixarem a carreira para assumir funções de consultoria na Câmara ou no Senado, onde, além do salário, também podem advogar. Para ele, o assunto precisa ser visto como uma questão de “segurança institucional” e de garantir que os melhores profissionais entrem e permaneçam no Judiciário, e não como uma pauta corporativa.
O ministro também foi aplaudido ao pedir a volta do adicional por tempo de serviço, que deixou de existir em 2006. Hoje, apenas quem já tinha o direito continua recebendo, e o valor não conta para o teto constitucional. Moraes afirmou que não é razoável que alguém que acabou de ingressar ganhe o mesmo que um juiz com quarenta anos de carreira, e destacou que aposentados sofrem grandes perdas salariais.
A fala acontece no momento em que uma pesquisa do Movimento Pessoas à Frente mostra que, em março de 2025, a remuneração média dos juízes brasileiros chegou a R$ 65 mil. Mesmo com a Constituição determinando que nenhum servidor pode receber mais que um ministro do STF, muitas remunerações continuam acima desse valor por causa dos chamados penduricalhos, que seguem sendo incorporados às folhas de pagamento.








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