O dia 19 de janeiro costuma aparecer todos os anos em posts, reportagens e conversas nas redes como o chamado “dia mais triste do mundo”. Apesar do rótulo chamativo, não existe nenhuma comprovação científica que confirme que essa data, de forma isolada, provoque mais tristeza do que outras. Ainda assim, ela acabou se tornando um símbolo de um período emocionalmente mais pesado para muita gente.

Na prática, o que sustenta essa fama é o contexto do início do ano. Janeiro costuma reunir uma sequência de fatores que afetam o humor: fim das festas, retorno acelerado da rotina, cobranças pessoais, preocupação com dinheiro e, em alguns lugares do mundo, dias mais curtos e com pouca luz solar. O dia 19 acaba funcionando como um “marco” dentro desse cenário.
Por que o fim de janeiro pesa no emocional
Em países do hemisfério norte, janeiro coincide com o auge do inverno. A redução da luz natural interfere diretamente no relógio biológico, no sono e na disposição. Esse ambiente está associado ao transtorno afetivo sazonal (TAS), condição reconhecida pela medicina, em que sintomas depressivos surgem ou se intensificam em épocas com menos sol.
Além do clima, há outros fatores que se somam:
- menos exposição à luz natural, com dias mais curtos
- alterações no sono, que aumentam o cansaço e a irritação
- menos atividades ao ar livre e redução do convívio social
A relação com a “Blue Monday”
Muita gente associa essa sensação à chamada “Blue Monday”, expressão popularmente usada para se referir à terceira segunda-feira de janeiro. O problema é que esse termo não nasceu de estudos científicos, mas de campanhas de marketing que ganharam força com o tempo.
Por isso, a “Blue Monday” funciona mais como uma referência cultural do que como um dado real sobre saúde mental. É nesse vazio que datas como 19 de janeiro acabam sendo apontadas como explicação simples para um período que, de fato, já é mais difícil para muitas pessoas.
Pressões típicas do começo do ano
Janeiro também concentra cobranças emocionais e sociais. Depois das festas, a rotina retorna de forma intensa, e as comparações com metas e expectativas surgem cedo. Para algumas pessoas, aparece a sensação de atraso, de que “o ano começou e nada andou”.
Entre os principais gatilhos estão:
- volta ao trabalho e aos estudos, com mais responsabilidades
- pressão por resultados e metas pessoais
- cansaço acumulado do fim de ano
- estresse financeiro, comum no início do ano
Como atravessar esse período com mais equilíbrio
Se o humor costuma cair em janeiro, algumas atitudes simples podem ajudar no dia a dia. A ideia não é fingir alegria, mas reduzir o impacto dos fatores que pesam mais nesse período.
- buscar luz natural sempre que possível
- manter horários mais regulares de sono
- incluir algum movimento na rotina, mesmo que leve
- conversar com pessoas de confiança
- avaliar níveis de vitamina D com orientação médica, se necessário
No fim das contas, 19 de janeiro não é uma sentença emocional. Ele ganhou fama por representar um momento em que cansaço, pressão e mudanças de rotina se acumulam. Sentir-se mais para baixo nessa época não é exagero nem fraqueza — é uma reação comum a vários estímulos reais.
Se a tristeza for intensa, persistente ou vier acompanhada de sofrimento constante, procurar ajuda profissional é fundamental. Psicólogos e médicos podem ajudar a entender o que está por trás desse sentimento e indicar caminhos mais seguros para atravessar o período.










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