Um robô oceanográfico que tinha sido dado como desaparecido ressurgiu na Antártida trazendo informações inéditas sobre áreas que nunca tinham sido estudadas. A pequena boia amarela, do tipo Argo, viajou cerca de 300 quilômetros debaixo do gelo em dois anos e registrou quase 200 perfis oceânicos enquanto atravessava as plataformas Denman e Shackleton.

Imagem Pete HarmsenDivisão Antártica Australiana
Esse tipo de equipamento costuma trabalhar no mar aberto, mas este foi criado especialmente para navegar sozinho por baixo das plataformas de gelo, um ambiente de escuridão total, água muito fria e difícil acesso até mesmo para submarinos.
Durante a missão, o robô chegou a desaparecer por oito meses e os cientistas achavam que ele tinha ficado preso. Para surpresa da equipe, ele reapareceu ativo e enviando dados a cada cinco dias.
As medições mostraram que a plataforma de Shackleton não está recebendo água quente o bastante para derreter rapidamente. Já a região de Denman preocupa os pesquisadores, porque correntes mais quentes estão chegando até a base da geleira e podem acelerar o derretimento. Os estudos apontam que ali existe gelo suficiente para elevar o nível do mar em até 1,5 metro se houver um colapso total.
Essas informações ajudam a entender o comportamento das plataformas de gelo, que funcionam como barreiras naturais contra o avanço das grandes geleiras. Se afinam ou quebram, o gelo continental corre para o oceano. O robô, mesmo enfrentando meses de escuridão e frio extremo, conseguiu trazer um dos conjuntos de dados mais importantes já coletados na região e que será essencial para melhorar as previsões sobre o aumento do nível dos mares.










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