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Suzane von Richthofen esteve em uma delegacia da Zona Sul de São Paulo para tentar liberar o corpo do tio materno, Miguel Abdalla Netto, encontrado morto dentro de casa na última sexta-feira (9), no bairro do Campo Belo. Acompanhada de um advogado, ela compareceu ao 27º Distrito Policial entre domingo (11) e segunda-feira (12), mas não conseguiu autorização para o sepultamento porque uma prima já havia realizado o procedimento.

Miguel Abdalla Netto tinha 76 anos, era médico, morava sozinho, não era casado e não deixou filhos. Ele foi encontrado por um vizinho, que estranhou a ausência por dois dias e decidiu olhar por cima do muro da residência. Ao ver o corpo caído em um dos quartos, acionou a Polícia Militar, que isolou o local. O corpo já estava em estado de decomposição.

Foto ReproduçãoArquivoTV GloboGoogle MapsCremesp

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte, tratada inicialmente como suspeita. A principal hipótese é de morte natural, mas a confirmação depende dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Segundo o delegado Eduardo Luís Ferreira, titular do 27º DP, “temos informações preliminares dos peritos de que a morte foi natural, mas vamos aguardar os resultados dos laudos”. Ele também afirmou que “em princípio não havia sinais de violência”.

Suzane se apresentou na delegacia como sobrinha de Miguel, usando o nome Suzane Louise Magnani Muniz, adotado após o casamento, em 2023, com o médico Felipe Zecchini Muniz. Atualmente, ela mora em Bragança Paulista e teve um filho em 2024.

A liberação do corpo já havia sido feita por Carmem Silvia Gonzalez Magnani, empresária de 69 anos e prima de Miguel, que compareceu à delegacia na manhã de sábado (10). O sepultamento foi realizado por um serviço funerário particular, em local não divulgado.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que “o corpo foi liberado para fins de inumação a uma prima da vítima, que compareceu à unidade policial e se identificou como parente mais próxima.” A pasta acrescentou que “posteriormente, outra parente também esteve no distrito policial solicitando a liberação do corpo, porém o pedido foi indeferido, uma vez que a liberação já havia sido realizada anteriormente.”

Miguel ficou conhecido por ter assumido a tutela de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, após o assassinato dos pais dos dois, em 2002. Na época, Andreas tinha 15 anos. Miguel administrou os bens do sobrinho até a maioridade. Andreas, hoje com 38 anos e formado em farmácia e bioquímica pela USP, não compareceu à delegacia para reclamar o corpo do tio.

O caso ganhou ainda mais repercussão por envolver a mesma delegacia que, há quase 24 anos, registrou as mortes de Manfred Albert e Marísia von Richthofen, pais de Suzane. O crime foi cometido por Daniel e Cristian Cravinhos, a mando dela, e posteriormente esclarecido pelo DHPP. Suzane foi condenada, mas atualmente cumpre pena em regime aberto.

Segundo policiais, Miguel possuía imóveis e aplicações financeiras, mas não há confirmação sobre a existência de testamento. Na ausência de disposição formal, Suzane e Andreas poderiam futuramente discutir a herança na Justiça. Em 2015, Suzane já havia sido oficialmente excluída da herança dos pais, que ficou integralmente com o irmão.

Mariana Neves Barabás
Radialista recém formada em Rádio, TV e Internet pela Anhembi Morumbi. Apaixonada por comunicação e produção de conteúdo de qualidade.

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