O Tribunal de Contas da França acusou o Museu do Louvre de ter sido negligente com a própria segurança antes do roubo milionário de joias ocorrido em outubro. Segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira, o museu teria priorizado projetos “vistosos” e de grande impacto público, mas deixou de investir o suficiente na manutenção e nas estruturas de proteção do prédio.
O documento, que analisou a gestão do museu entre 2018 e 2024, afirma que o Louvre enfrenta uma “muralha de investimentos” que não consegue bancar, mesmo com recursos altos. O tribunal alerta que as falhas de segurança e o atraso nas obras podem comprometer o funcionamento do museu a longo prazo.
O relatório foi publicado quase três semanas depois do assalto cinematográfico em que ladrões usaram um guindaste para invadir o prédio. Dois criminosos entraram pela janela da Galeria de Apolo com uma serra elétrica e, em apenas sete minutos, levaram oito joias históricas da realeza francesa, incluindo uma tiara de pérolas da imperatriz Eugênia e um colar com brincos de safira da rainha Maria Amélia. As peças estão avaliadas em mais de 100 milhões de dólares, cerca de 580 milhões de reais.

Até agora, quatro pessoas foram presas, três delas suspeitas de participação direta no crime, mas as joias ainda não foram recuperadas. O Tribunal de Contas também criticou o ritmo lento de reformas do museu, que recebeu nove milhões de visitantes em 2024, sendo 80% estrangeiros.
O governo francês lançou um plano de renovação estimado em 1,15 bilhão de euros (cerca de 7,3 bilhões de reais), com 481 milhões previstos para a próxima década. O tribunal, porém, considera esse valor insuficiente diante das necessidades do Louvre, cujo orçamento inicial para o projeto era menor, entre 700 e 800 milhões de euros.
Em resposta, a direção do museu afirmou que aceita a maioria das recomendações feitas, mas reclamou que o relatório não leva em conta várias medidas de segurança que já foram implantadas recentemente.










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