Nidal Malik Hasan, condenado por matar 13 pessoas em base militar no Texas em 2009, será executado por pelotão de fuzilamento em 3 de dezembro. Execução será transmitida ao vivo, segundo o Pentágono, marcando a primeira execução pública nos EUA desde 1936.
Por Redação do Diário do Povo
Washington, 09 de outubro de 2026 – O governo dos Estados Unidos confirmou que a execução do ex-militar Nidal Malik Hasan, condenado pela morte de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009, será realizada por pelotão de fuzilamento e transmitida ao vivo. A informação foi divulgada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, e confirmada por um oficial do Pentágono nesta quinta-feira (8) .
A execução está marcada para 3 de dezembro de 2026, às 13h no horário local, na própria base de Fort Hood — a mesma hora e local do ataque original, segundo Hegseth . O presidente Donald Trump aprovou a execução na semana passada, seguindo recomendação do secretário de Defesa .
Quem é Nidal Hasan
Nidal Malik Hasan, de 56 anos, era psiquiatra do Exército americano com a patente de major. Em 5 de novembro de 2009, ele abriu fogo dentro de um centro médico de Fort Hood, onde soldados aguardavam exames de rotina antes de serem enviados ao exterior. O ataque matou 13 pessoas e feriu outras 32. Doze das vítimas fatais e 30 dos feridos eram militares .
Durante o ataque, Hasan gritou “Allahu Akbar” (“Deus é grande”, em árabe). Em julgamento, ele declarou que agiu para impedir que soldados americanos fossem enviados ao Afeganistão para matar muçulmanos. Ele foi condenado à morte por uma corte marcial em 2013 e desde então aguardava execução na prisão militar de Fort Leavenworth, no Kansas .
Hasan ficou parcialmente paralisado da cintura para baixo após ser baleado por policiais que responderam ao ataque .
O Que Diz o Governo
Em entrevista à emissora conservadora Real America’s Voice, Hegseth afirmou que a execução será pública porque “as pessoas precisam entender que há consequências sérias para esse tipo de coisa” .
“Ele vai receber um pelotão de fuzilamento de soldados, como deveria ser. Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público”, declarou Hegseth .
O secretário de Defesa também comentou que a escolha do método e do local foi uma decisão óbvia: “Major do Exército trai seu país, islamista radical, mata um monte de americanos em Fort Hood. É claro que vamos fazer em Fort Hood, numa quinta-feira, à uma da tarde, que foi quando ele fez. E serão soldados com rifles executando o pelotão de fuzilamento” .
Questionado sobre eventuais pedidos finais de Hasan, Hegseth respondeu: “Não me importo. Vamos vê-lo em 3 de dezembro” .
Repercussão e Críticas
A decisão gerou reações bipartidárias negativas no Congresso americano. O senador republicano Thom Tillis classificou o plano como “além de nojento” e afirmou que “execuções públicas são o que ditaduras opressivas como Irã e Afeganistão fazem. Não deveria acontecer na América” .
O senador democrata Chris Murphy disse que a ideia é “nojenta” e questionou: “O que ele está fazendo, imitando execuções do ISIS?” .
Especialistas em direitos humanos também condenaram a medida. O escritório de direitos humanos da ONU afirmou que transmitir a execução ao vivo seria “equivalente a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura” . A Anistia Internacional pediu que os EUA suspendam a execução ou, pelo menos, abandonem os planos de transmissão .
Austin Sarat, professor de direito no Amherst College, afirmou que “a morte por pelotão de fuzilamento é sempre brutal. Transmiti-la ao vivo transformará essa brutalidade em um espetáculo de crueldade” .
Contexto Histórico
A última execução pública nos Estados Unidos ocorreu em 1936, em Kentucky, quando Rainey Bethea foi enforcado diante de uma multidão de cerca de 20 mil pessoas após ser condenado por estupro e assassinato .
A última execução militar por pelotão de fuzilamento aconteceu em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o soldado Eddie Slovik foi executado por deserção na França . A última execução militar americana de qualquer tipo foi em 1961, quando John Bennett foi enforcado por estupro e tentativa de assassinato .
A decisão do governo Trump ocorre em meio a uma ampliação dos métodos de execução em casos federais. Em abril, o Departamento de Justiça anunciou a retomada do uso de injeções letais e a adoção do fuzilamento, asfixia com gás e eletrocussão como métodos alternativos .
Possíveis Obstáculos Legais
Apesar do anúncio, especialistas apontam que a execução pode enfrentar desafios jurídicos. John Mills, advogado que trabalha com condenados à morte, afirmou que o processo de apelação de Hasan não está concluído e que ele provavelmente buscará revisão de sua condenação em tribunal federal, o que poderia atrasar a execução .
“Francamente, isso pode se prolongar além do mandato do atual governo, e quem sabe se o próximo terá a mesma propensão para execuções”, disse Eugene R. Fidell, professor de direito militar da Universidade Yale .
Além disso, regulamentos federais proíbem a gravação visual ou de áudio de execuções sem ordem judicial específica, o que pode representar um obstáculo legal à transmissão ao vivo .









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