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Uma pesquisa da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), divulgada nesta semana, mostrou que a obesidade infantil superou a desnutrição como a forma mais prevalente de má nutUma pesquisa recente da UNICEF revelou que, em 2025, a obesidade infantil superou a desnutrição como a forma mais prevalente de má nutrição, afetando 188 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo. Os dados, que abrangem mais de 190 países, apontam que quase um em cada dez jovens, entre 5 e 19 anos, vive com obesidade. O aumento dessa condição está diretamente ligado à ampla disponibilidade de alimentos ultraprocessados, que muitas vezes são mais baratos e acessíveis do que opções saudáveis como frutas, legumes e proteínas.

Embora muitos considerem que a obesidade seja preferível à desnutrição, especialistas alertam que ambos os quadros representam sérios riscos à saúde. O pediatra Paulo Telles, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explicou que uma criança com obesidade pode, paradoxalmente, estar desnutrida. “Quando falamos de desnutrição, não nos referimos apenas à quantidade de alimento, mas também à deficiência de nutrientes essenciais”, destacou. A obesidade, alimentada por uma dieta rica em alimentos ultraprocessados, pode resultar em deficiências de vitaminas e proteínas cruciais para o desenvolvimento da criança.

Além disso, crianças e adolescentes com obesidade estão mais vulneráveis a uma série de problemas de saúde, como cansaço excessivo, maior suscetibilidade a infecções, queda de cabelo e problemas digestivos. A falta de nutrientes essenciais pode comprometer a saúde geral e afetar o bem-estar físico e emocional.

Foto: Freepik
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No Brasil, os dados são alarmantes: um em cada três adolescentes entre 10 e 19 anos está acima do peso, com um aumento de quase 9% no número de jovens com sobrepeso nos últimos dez anos. Isso representa cerca de 2,6 milhões de brasileiros. O pediatra Paulo Telles ainda ressaltou que, culturalmente, a ideia de que “comer bastante é sinônimo de saúde” tem contribuído para o crescimento da obesidade. Frases como “rapa o prato” ou “a gestante deve comer por dois” reforçam hábitos alimentares inadequados que passam de geração em geração.

A obesidade infantil não se limita a uma questão estética: ela aumenta significativamente o risco de doenças graves, como diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e até AVC na juventude. A curto prazo, as crianças podem sofrer com dificuldades de mobilidade, baixa autoestima e sofrer bullying, o que pode afetar sua saúde mental.

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O tratamento, segundo a pediatra Anna Bohn, não se resume a dietas restritivas. “A chave está em mudar o estilo de vida: alimentação equilibrada, sono adequado, prática de esportes e menos tempo de tela”, explicou. Além disso, a intervenção precoce é essencial. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que o acompanhamento médico constante e o diagnóstico precoce são fundamentais para evitar complicações.

Dicas práticas para pais e cuidadores:

  • Seja exemplo: crianças aprendem mais pelo que veem do que pelo que é imposto.
  • Atividade física em família: praticar exercícios juntos fortalece vínculos e cria hábitos duradouros.
  • Prefira alimentos naturais: frutas, legumes e proteínas magras devem ser priorizados em vez de alimentos ultraprocessados.
  • Controle o uso de telas: limite o tempo de tela e evite o uso durante as refeições.
  • Introduza alimentos saudáveis desde cedo: respeite os sinais de fome e saciedade e ofereça uma variedade de alimentos.
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O ambiente escolar também tem papel crucial na prevenção da obesidade infantil. A pedagoga Mariana Ruske destaca que a escola deve oferecer alimentos saudáveis e incentivar hábitos positivos, além de alinhar suas práticas com as orientações das famílias. “Quando escola e família trabalham juntas, os hábitos saudáveis se tornam mais sólidos e duradouros”, afirmou.

Fonte: SBT
Redação Diário do Povo – conteúdo verificado e adaptado.

Mariana Pontes
Jornalista , diretora de tv, co- apresentora de rádio . paraense, sempre ligada em notícias, nos momentos de lazer fico ao lado da família.

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