Candidato do PL diz que autorizará acesso a seus dados bancários, fiscais e telefônicos, mas exige que Lula libere informações do ex-chefe de gabinete Marcola, do cartão corporativo e do Instituto Lula. Petista protocolou autorização no TSE condicionada à medida equivalente do adversário.
Por Redação do Diário do Povo
São Paulo, 21 de outubro de 2026 – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas impôs uma série de condições para liberar as informações .
A declaração foi dada durante evento de campanha em Guarulhos (SP), no último compromisso do senador em São Paulo antes do segundo turno . “Só que eu não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências”, disse Flávio .
As Condições Impostas por Flávio
O candidato do PL condicionou a abertura de seus dados à divulgação de informações de pessoas próximas ao presidente e de órgãos ligados ao governo. Entre as exigências estão:
- Sigilo telefônico de Marcola: Flávio cobrou a abertura dos dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. Segundo o senador, como Lula não utiliza celular, as ligações destinadas ao presidente passavam por Marcola .
- Cartão corporativo e gastos de Janja: O candidato exigiu a divulgação das despesas do cartão corporativo da Presidência e os gastos da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja .
- Instituto Lula e patrimônio: Flávio também pediu a abertura do sigilo do Instituto Lula e a divulgação do patrimônio da família do presidente .
- Registros de visitantes e reuniões: A lista inclui informações sobre visitantes do Palácio da Alvorada e registros de reuniões entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master .
“Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola”, declarou o senador .
O Desafio de Lula
A ofensiva ocorre após Lula protocolar, na terça-feira (20), um documento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) autorizando a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, incluindo os dados de sua esposa e de seus cinco filhos — entre eles Lulinha, alvo de inquéritos da Polícia Federal .
A autorização, no entanto, é condicionada: só será válida se Flávio Bolsonaro adotar a mesma providência em relação a si próprio e aos seus familiares (Jair Bolsonaro, Rogéria, Carlos, Eduardo, Jair Renan e Fernanda Bolsonaro), além de empresas ligadas ao senador .
O desafio foi lançado por Lula durante o debate da Band, no domingo (18), e reforçado nos dias seguintes. O petista chegou a afirmar que só participaria do debate da TV Globo, na sexta-feira (23), se Flávio apresentasse o documento autorizando a quebra dos sigilos .
O Contexto Político
A troca de acusações sobre transparência ocorre na reta final do segundo turno, marcado para domingo (25). Flávio é alvo de inquéritos no STF que investigam, entre outros pontos, sua relação com o advogado Willer Tomaz e o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro que teria recebido recursos de Daniel Vorcaro .
Do outro lado, Lula busca transferir o ônus da transparência ao adversário, apostando que a recusa de Flávio em abrir seus dados pode desgastá-lo junto ao eleitorado. A campanha do PL, no entanto, tem avaliado que a divulgação dos dados não acrescentaria elementos ao debate antes da votação .









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