Medida publicada no Diário Oficial da União retirou R$ 226,51 milhões do Ministério da Defesa e das Forças Armadas e bloqueou R$ 119,26 milhões destinados à Polícia Rodoviária Federal. Governo afirma que cancelamento de dotações não reduz salários nem suspende pagamentos já previstos.
Por Redação do Diário do Povo
Brasília, 31 de outubro de 2026 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou R$ 345,78 milhões em dotações orçamentárias destinadas ao Ministério da Defesa, aos comandos das Forças Armadas e à Polícia Rodoviária Federal (PRF). A medida foi oficializada por meio da Portaria GM/MPO nº 485, assinada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, na terça-feira (27), e publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (28), dois dias após o segundo turno das eleições.
Os Cortes na Defesa
Do total retirado, R$ 226,51 milhões estavam vinculados à Defesa, ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica. A maior redução ocorreu na reserva de contingência do Ministério da Defesa, com R$ 112,72 milhões cancelados.
Também foram retirados R$ 51,42 milhões do orçamento do Exército, R$ 32,56 milhões da Força Aérea Brasileira (FAB) e R$ 29,82 milhões da Marinha.
Segundo o documento oficial, cerca de R$ 107,75 milhões do montante cancelado seriam destinados ao pagamento de militares da ativa. O restante cobriria despesas com servidores civis, aposentadorias e pensões.
O Bloqueio na PRF
A norma também bloqueou R$ 119,26 milhões destinados a despesas com pessoal da Polícia Rodoviária Federal, vinculados à ação orçamentária denominada “Ativos Civis da União”, classificada como despesa de pessoal e encargos sociais.
O Que o Governo Diz
O cancelamento das dotações não representa, por si só, redução salarial ou suspensão de benefícios dos militares e policiais. De acordo com o governo, a medida retirou autorizações para gastos, sem determinar a interrupção de pagamentos já previstos.
A portaria também abriu R$ 5,17 bilhões em créditos suplementares para diferentes órgãos federais, utilizando o cancelamento de outras dotações como fonte de recursos. A maior parte foi destinada ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas com deficiência e à Renda Mensal Vitalícia por invalidez, que receberam aproximadamente R$ 4,73 bilhões. Outros R$ 387,6 milhões foram direcionados ao reforço da assistência farmacêutica do SUS.
Além dos cortes na Defesa e na PRF, o governo retirou R$ 621,1 milhões da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), utilizada para financiar subsídios do setor elétrico.
Repercussão
A medida gerou repercussão nas redes sociais e entre analistas de segurança pública, que questionam o timing da decisão — publicada apenas dois dias após a definição do segundo turno. Até o momento, não há comprovação de que o cancelamento das dotações comprometerá as atividades operacionais das Forças Armadas ou da PRF.









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