Dívida Bruta do Governo Geral alcançou R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, equivalente a 82,9% do PIB, o maior patamar desde março de 2021. O novo mandato de Lula começa sob pressão para controlar as contas públicas, com desafios como o déficit primário, o peso dos juros e as medidas anunciadas em 2026 que devem pressionar o Orçamento de 2027.
Por Redação do Diário do Povo
Brasília, 27 de outubro de 2026 – A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato ocorre em um cenário de forte pressão sobre as contas públicas. Dados do Banco Central divulgados em setembro mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) . Esse é o maior patamar do indicador desde março de 2021, período marcado pelos impactos da pandemia de Covid-19 .
A Trajetória da Dívida
Em dezembro de 2022, último mês antes do início do terceiro mandato de Lula, a dívida bruta correspondia a 71,7% do PIB. Em agosto deste ano, chegou a 82,9%, um avanço de 11,2 pontos percentuais no período .
O principal fator para a alta foi a incorporação dos juros nominais. Nos 12 meses até agosto, o setor público gastou R$ 1,182 trilhão com juros, o equivalente a 8,86% do PIB . Somente esse componente acrescentou 6,5 pontos percentuais à relação entre dívida e PIB no acumulado do ano .
O Desafio do Novo Mandato
O quarto mandato de Lula começa com pouco espaço no Orçamento. Cerca de 90% das despesas primárias da União são obrigatórias, e o Executivo controla apenas R$ 222,1 bilhões, que incluem o custeio da máquina e os investimentos .
O Orçamento de 2027 precisará de um ajuste de até R$ 39,9 bilhões para acomodar as novas medidas anunciadas pelo governo em 2026, que incluíram crédito e renúncias de impostos . Levantamentos estimam entre R$ 290 bilhões e R$ 405 bilhões o volume dessas medidas, dependendo do critério utilizado .
Entre as ações de maior peso estão o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que custa cerca de R$ 23,4 bilhões por ano, e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, com renúncia de R$ 28 bilhões em 2026 . O governo também zerou tributos federais sobre a gasolina, anunciou o perdão de R$ 12,9 bilhões em dívidas de MEIs e prometeu estender o Pé-de-Meia a universitários em 2027 .
Déficit e Projeções
De janeiro a agosto, o governo central registrou um déficit primário de R$ 94,9 bilhões. A projeção oficial para o ano é de déficit de R$ 80,9 bilhões . Pelas contas do governo, a meta é cumprida porque despesas como os precatórios ficam fora do cálculo.
As projeções para os próximos anos também são motivo de preocupação. O governo estima que a dívida bruta se aproxime de 90% do PIB entre 2029 e 2030. No boletim Focus, o mercado prevê 95,1% em 2030 .
O Que Dizem os Economistas
Especialistas apontam que a estabilização da dívida exigiria um ajuste fiscal significativo. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estima que seria necessário manter um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação entre dívida e PIB .
O Brasil tem reservas internacionais elevadas e dívida externa pequena, o que reduz o risco de uma crise de financiamento e dá algum tempo ao governo. No entanto, juros altos encarecem a dívida e freiam o investimento privado . A Selic está em 13,75% ao ano, e o Copom decide os juros em 4 de novembro .
O Que se Sabe Até Agora
- Dívida Bruta: R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, equivalente a 82,9% do PIB.
- Maior patamar desde: março de 2021.
- Avanço desde dezembro de 2022: 11,2 pontos percentuais do PIB.
- Principal fator de alta: juros nominais, que somaram R$ 1,182 trilhão em 12 meses.
- Déficit primário do governo central: R$ 94,9 bilhões de janeiro a agosto.
- Ajuste necessário no Orçamento de 2027: até R$ 39,9 bilhões.
- Projeção do mercado para 2030: dívida de 95,1% do PIB.









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