Documento enviado ao Congresso aponta déficit de R$ 15,8 bilhões em 2028, R$ 14,9 bilhões em 2029 e R$ 23 bilhões em 2030 para manter as políticas públicas atuais. Planalto defende “esforço contido e estável” para ajustar as contas.
Por Redação do Diário do Povo
Brasília, 20 de outubro de 2026 – Depois de mobilizar quase R$ 300 bilhões em 2026 apenas para o seu pacote de benefícios sociais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso um documento que projeta a falta de recursos para manter as políticas atuais a partir de 2028.
O Palácio do Planalto defendeu um “esforço contido e estável” para ajustar as contas públicas e manter o arcabouço fiscal nos próximos quatro anos.
Os Números
Considerando o quanto gastaria para manter as políticas públicas atuais e o limite que o governo terá para gastar cumprindo o arcabouço fiscal, faltará:
- R$ 15,8 bilhões em 2028
- R$ 14,9 bilhões em 2029
- R$ 23 bilhões em 2030
Como as despesas discricionárias (não obrigatórias) e o espaço do arcabouço são de R$ 222,1 bilhões, não há previsão de falta de recursos no ano que vem. O Orçamento de 2027 já foi enviado.
O Que Diz o Governo
“A distância entre a linha de base e o espaço disponível aponta a necessidade de revisão de gastos nos próximos exercícios — esforço contido e estável, a ser conduzido no próprio ciclo orçamentário por meio da reavaliação de programas e da repriorização alocativa”, afirmou o governo na mensagem que acompanha os cálculos.
Contas de Agosto
As contas enviadas ao Congresso são de agosto e não consideram as benesses anunciadas por Lula durante a campanha eleitoral. Com o reajuste do Bolsa Família e o Pix de R$ 5 mil para microempreendedores individuais (MEIs), por exemplo, o governo precisará fazer ajustes de pelo menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027.
Cautela
Ao jornal O Estado de S. Paulo, o Ministério do Planejamento e Orçamento afirmou que os números devem ser lidos com cautela. Segundo a pasta, a projeção é um exercício.
“Como partem das informações dos órgãos, não consideram ganhos de eficiência, encerramento de projetos e investimentos, revisões de gasto e demais medidas de gestão já adotadas ao longo dos exercícios”, disse o ministério.
A pasta afirmou ainda que a diferença não indica descumprimento do arcabouço fiscal nem desequilíbrio nas contas, mas “antecipa, com alguns anos de antecedência, as escolhas alocativas que a elaboração e a aprovação de cada orçamento sempre envolvem”.
“Os orçamentos de cada exercício continuarão a ser elaborados dentro dos limites do Regime Fiscal Sustentável (arcabouço fiscal)”, completou.









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