Partido Democrata venceu as eleições de meio de mandato e retomou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, em um resultado que representa uma dura derrota para o presidente Donald Trump. Os democratas conquistaram 54 cadeiras no Senado e 225 na Câmara, além de vitórias históricas em estados tradicionalmente republicanos, como o Texas.
Por Redação do Diário do Povo
Washington, 04 de novembro de 2026 – O Partido Democrata conquistou, na madrugada desta quarta-feira (04), a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na terça-feira (03). O resultado representa uma derrota para o presidente Donald Trump, do Partido Republicano, que perdeu o controle do Senado e da Câmara dos Representantes.
Os Números do Senado
No Senado, os democratas mantiveram suas cadeiras e conquistaram outras sete anteriormente ocupadas por republicanos. Ao todo, o partido elegeu 20 senadores e chegou a 54 das 100 cadeiras, contra 44 dos republicanos. Duas vagas ainda aguardavam definição na última atualização. Para garantir a maioria, eram necessários 51 assentos.
Entre as vitórias democratas mais simbólicas no Senado estão as de James Talarico, no Texas — o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado desde 1988 —, Annie Andrews, na Carolina do Sul, Adam Hamilton, no Kansas (primeiro democrata a vencer no estado desde 1932), além de Roy Cooper na Carolina do Norte, Troy Jackson no Maine, Sherrod Brown em Ohio e Josh Turek em Iowa.
A Câmara dos Representantes
Na Câmara, os democratas conquistaram 25 cadeiras antes controladas pelos republicanos, em distritos de mais de dez estados. A legenda alcançou 225 assentos, contra 137 dos adversários, enquanto 76 disputas permaneciam indefinidas. O número necessário para a maioria é 218.
A Reação de Trump
Após a confirmação das vitórias democratas, Trump afirmou que aceitará o resultado, mas não reconheceu a derrota como um julgamento de sua gestão. Em entrevista ao The New York Times, o presidente disse estar “absolutamente disposto a aceitar” os resultados e que pretende buscar acordos com a oposição.
“Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, afirmou.
Em publicação nas redes sociais, porém, Trump minimizou a derrota: “Eu não estava na cédula. Se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora”. Em entrevista à Fox News, ele também afirmou que os democratas “realmente não estão no controle”, pois ele pode vetar projetos de lei aprovados pelo Congresso.
O Contexto da Derrota
O resultado das midterms é interpretado como um voto de castigo contra Trump e seu governo. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro mostrava que apenas 32% dos americanos avaliavam positivamente a gestão do presidente.
Entre os principais fatores apontados para o desgaste estão a alta no custo de vida, especialmente dos combustíveis, e a guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro e ainda sem um acordo para encerrá-la. Trump admitiu, em entrevista, que o conflito pode ter pesado sobre os eleitores: “Eles não aceitaram o impacto de curto prazo nos preços da gasolina”.
O Que Muda
Com o controle do Congresso, os democratas poderão barrar a agenda legislativa de Trump, ampliar a fiscalização sobre o governo e abrir investigações sobre a administração republicana. A posse dos novos congressistas está prevista para janeiro de 2027.
A vitória democrata também se estendeu às disputas estaduais. Em Ohio, a democrata Amy Acton derrotou o republicano Vivek Ramaswamy. Em Michigan, Abdul El-Sayed tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms foi eleita a primeira governadora negra da história do país.









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