Documento foi recuperado por ex-companheiro de cela do bilionário em 2019 e estava sob sigilo; não é possível afirmar que Epstein escreveu o texto

NOVA YORK — A Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (6) uma suposta carta de suicídio de Jeffrey Epstein, o bilionário acusado de comandar uma rede de abuso sexual contra menores. O documento estava sob sigilo e faz parte de um processo judicial envolvendo um ex-companheiro de cela do financista.
A existência da suposta nota foi revelada pelo The New York Times no fim de abril. Agora, o conteúdo foi divulgado pela Justiça após um pedido do jornal. Não é possível afirmar que o documento tenha sido escrito por Epstein.
O conteúdo da carta
A nota traz o seguinte texto, aparentemente escrito à mão:

“Eles me investigaram por meses — NÃO ENCONTRARAM NADA!!!
Então o resultado foi uma acusação de 16 anos atrás.
É um privilégio poder escolher o momento de dizer adeus.
O que você quer que eu faça — cair no choro!!
NÃO É LEGAL — NÃO VALE A PENA!!”
Como o bilhete foi encontrado
Segundo o The New York Times, um companheiro de cela de Epstein, Nicholas Tartaglione, encontrou o bilhete em julho de 2019, após o financista ser achado inconsciente na prisão com um pano enrolado no pescoço. Na época, Epstein afirmou que não era suicida e acusou o companheiro de cela de tê-lo atacado. Ele foi transferido e encontrado morto dias depois.
Tartaglione disse que encontrou o bilhete dentro de um livro logo após Epstein ser transferido de cela. O detento é ex-policial e cumpre prisão perpétua por homicídio. Ele afirmou ter entregado o bilhete ao próprio advogado como precaução, caso Epstein voltasse a acusá-lo de agressão.
Documento lacrado
O jornal informou que o documento foi lacrado por um juiz federal e integra o processo criminal contra Tartaglione. Os investigadores que apuraram a morte de Epstein não tiveram acesso ao material.
Quem era Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein tinha conexões com milionários, artistas e políticos influentes. Entre 2002 e 2005, ele foi acusado de aliciar dezenas de meninas menores de idade para encontros sexuais em suas mansões.
Em 2008, Epstein firmou um acordo com a Justiça para se declarar culpado. Em 2019, o caso voltou à tona quando autoridades federais consideraram o acordo inválido e determinaram a prisão do bilionário por tráfico sexual.
A morte de Epstein
O bilionário morreu na cadeia poucos dias depois de ser preso. Segundo as autoridades, ele tirou a própria vida. A morte de Epstein gerou teorias da conspiração, e a imprensa americana relatou falhas na segurança da prisão onde ele estava.
Recentemente, o governo dos EUA divulgou imagens de câmeras de segurança que mostram a porta da cela no dia em que ele foi encontrado morto. Nos últimos meses, o Departamento de Justiça divulgou milhares de páginas de investigações sobre os abusos cometidos por Epstein, após pressão popular e uma lei aprovada no Congresso.
O caso segue sendo investigado, e novas informações podem surgir com a análise do documento agora divulgado.








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