Bloco europeu excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar por descumprimento de regras contra uso de antibióticos na pecuária; governo promete agir

BRASÍLIA — A decisão da União Europeia (UE) de suspender a importação de carnes, ovos e mel do Brasil tem potencial de causar um prejuízo anual de US$ 1,8 bilhão aos exportadores brasileiros. A restrição será válida para bovinos, equinos, aves, ovos, mel e envoltórios a partir de setembro, de acordo com porta-voz de Saúde da União Europeia.
Impacto nas exportações
A UE representa uma pequena fração das exportações nacionais. O total de produtos restritos para a Europa equivale a 0,5% dos US$ 348,3 bilhões vendidos pelo Brasil ao mundo no ano passado. Considerando apenas o comércio com a UE, os produtos foram 3,6% dos US$ 49,8 bilhões exportados para o bloco econômico.
A maior parte das perdas envolve a venda de carne bovina fresca. Conforme informações do Ministério da Agricultura, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão com a exportação de 128 mil toneladas para o bloco no ano passado. A Europa é o terceiro principal parceiro do país para o produto, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Balanço das perdas estimadas
- Carne bovina fresca: US$ 912,2 milhões
- Outras carnes defumadas e salgadas: US$ 311 milhões
- Despojos comestíveis e miudezas de carnes: US$ 278 milhões
- Aves: US$ 302 milhões
- Outras miudezas: US$ 2,7 milhões
- Mel natural: US$ 6,1 milhões
- Ovos: US$ 1,3 milhão
Frangos, ovos e mel também são afetados
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indica que a UE foi o oitavo maior comprador do frango brasileiro no ano passado, com o recebimento de 233.137 toneladas da proteína (US$ 302 milhões).
As vendas de ovos e mel também estão ameaçadas. A Europa foi o 10º destino das exportações de ovos de galinha brasileiros em 2025, com o desembarque de 301 toneladas (US$ 1,3 milhão). No caso do mel natural, os 27 países da UE compraram o equivalente a US$ 6,1 milhões no ano passado.
Motivo da suspensão
A União Europeia deixou o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar carnes para o bloco por não cumprir regras contra o uso de antibióticos na pecuária. Os produtores também não podem usar substâncias reservadas para tratar infecções em humanos.
A norma europeia proíbe estimular o desenvolvimento dos animais com o uso de antimicrobianos. O Brasil ficou fora porque não garantiu o fim do uso desses produtos na criação de animais. A Comissão Europeia espera uma resposta das autoridades brasileiras para atualizar o documento em breve.
Contexto comercial
As limitações ocorrem após críticas ao livre comércio com o Mercosul. Produtores rurais da Europa e o governo da França manifestam preocupação de que a aliança com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai prejudique a produção local. O tratado começou a valer de forma provisória no dia 1º de maio e ainda aguarda uma decisão da Justiça europeia para a legalidade definitiva.
O que diz o governo
Em nota, o Ministério da Agricultura prometeu agir. “O governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”, diz o texto.
Próximos passos
A suspensão entra em vigor a partir de setembro. O governo brasileiro tem até lá para apresentar à Comissão Europeia as garantias necessárias sobre o cumprimento das regras sanitárias do bloco. Caso contrário, o setor agropecuário brasileiro poderá amargar perdas bilionárias.
O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.








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