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Perícia do IML refuta tese do tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de feminicídio, de que lesões teriam sido causadas pela filha de 7 anos da vítima durante um colo

SÃO PAULO — Um novo laudo pericial realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) concluiu que as marcas na região do pescoço e da mandíbula da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foram provocadas por um adulto durante uma agressão, segundos antes de ela morrer com um tiro na cabeça. Gisele foi encontrada morta em fevereiro em seu apartamento, no Brás, em São Paulo.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, foi denunciado pelo Ministério Público sob acusação de feminicídio. A Promotoria disse que ele cometeu o crime de forma “covarde” pelo fato de ela querer se divorciar.

A tese da defesa

Rosa Neto nega a acusação. Ele afirma que a mulher cometeu suicídio e diz acreditar que as marcas no pescoço tenham sido feitas pela filha de Gisele, de 7 anos. Segundo ele, quando a companheira colocava a menina no colo, ela entrelaçava as pernas no corpo da mãe e a segurava pelo pescoço.

“Eu não tenho unha, só para você ter uma ideia. Eu roo a unha desde criança. A filha dela, mesmo sendo criança, tinha a unha bem grandinha…”, afirmou em entrevista à imprensa.

O que diz o laudo

O laudo assinado pelo médico legista Tadeu Gomes Corrêa, obtido pela reportagem, diz que essa possibilidade é “cientificamente insustentável”.

“A presença dessas marcas prova que a vítima foi submetida a uma força superior à sua capacidade de resistência, o que se alinha perfeitamente com a superioridade física de um adulto que ataca por trás, e nunca com uma interação de colo infantil”, afirma o laudo.

“A narrativa do réu é uma tese defensiva comum que esbarra frontalmente na imutabilidade das leis da física e da biologia registradas no corpo da vítima.”

No documento, o perito afirmou “taxativamente” que as lesões foram provocadas “por adulto em cenário de trauma por agressão, violência”.

Audiências começam nesta segunda

O caso ainda não tem data para ser julgado. As audiências do processo começam nesta segunda-feira (28) e servem para esclarecimentos no caso.

O que diz a defesa

A defesa do tenente-coronel afirma que ele é inocente. “O caso é de absolvição sumária”, afirmou à Justiça o advogado Eugênio Malavasi, que o representa. “Estamos diante de um trágico caso de suicídio.”

Segundo ele, não basta o Ministério Público proferir acusações sem o menor respaldo. “O nosso ordenamento jurídico exige a presença de um suporte probatório mínimo e capaz de atribuir a prática do crime descrito na denúncia à pessoa acusada.”

A defesa disse na ação que a acusação é calcada em uma perícia com diversas imprecisões e divergências que precisam ser sanadas, “não se prestando para sustentar uma acusação gravíssima”.

Situação do réu

Geraldo Leite Rosa Neto está detido desde março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.


Em caso de violência, denuncie

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.

O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.

Camilla Arisa Hasebe
Publicitária formada em Técnico em Informática (SENAI) e Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing (UNOPAR). Transforma ideias em soluções criativas que unem design, estratégia e inovação digital. Une o raciocínio lógico à sensibilidade criativa para desenvolver projetos.

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