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Parlamentar foi preso na quinta-feira (24) em operação que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC na Transunião; defesa nega acusações

SÃO PAULO — O vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura, preso na última quinta-feira (24), pediu afastamento do PT. Ele é apontado pela Polícia Civil de São Paulo como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

A informação foi confirmada em nota pelo diretório do PT na capital paulista.

“Informamos que o vereador Senival Moura encaminhou, neste sábado, à direção do Diretório Municipal do PT São Paulo, o pedido de afastamento de sua filiação ao Partido dos Trabalhadores, com a justificativa de se dedicar à sua defesa e de não vincular os últimos acontecimentos ao partido”, disse o PT, em nota.

A operação

Senival foi preso na Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na quinta-feira (24). Segundo as investigações, a empresa de ônibus Transunião Transportes S.A. teria sido usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção criminosa.

Em seu sexto mandato na Câmara Municipal, Senival ocupa atualmente os cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica.

A investigação

O ponto de partida das investigações foi o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, morto a tiros em março de 2020. Na ocasião, a polícia já apontava que Adauto atuava como um dos “laranjas” de Senival Moura na direção da empresa.

O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado por uma “quebra de confiança” financeira. Integrantes da facção teriam descoberto que Adauto estaria desviando valores da Transunião para subsidiar um “caixa dois” para a campanha de reeleição de Senival em 2020, em detrimento dos repasses que deveriam ser feitos ao PCC.

Segundo os investigadores, Senival teria sido “condenado à morte” pelo tribunal do crime do PCC, mas foi perdoado em razão de sua influência política e capacidade financeira de ressarcir parte do prejuízo. Como contrapartida, ele teria sido compelido a concordar com a morte de Adauto.

Movimentações financeiras e patrimônio

Relatórios de inteligência financeira mencionados na investigação apontam que Senival movimentou cerca de R4,39milho~esentre2019e2022.Segundoosinvestigadores,haveriaumadiferenc\casuperioraR 2,4 milhões entre os valores movimentados e os rendimentos oficialmente declarados.

Os autos também mencionam a posse de imóveis de alto padrão, entre eles um apartamento na Vila Madalena, na Zona Oeste da capital, e uma propriedade rural em Extrema, no sul de Minas Gerais.

Mensagens analisadas mostram que movimentações financeiras informais e repasses de grandes quantias em dinheiro — como pagamentos semanais de R$ 70 mil para “acertar os cara” — dependiam de sua anuência ou intervenção prévia. O esquema utilizava familiares e assessores para ocultar o patrimônio do político.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa do vereador Senival Moura disse que ele é inocente e recebeu com “profunda indignação” a decretação de sua prisão temporária.

“O Vereador reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte. Desde o primeiro momento, sua defesa técnica está adotando todas as providências jurídicas cabíveis para ter acesso integral aos autos, compreender os fundamentos da decisão e apresentar os esclarecimentos necessários, exercendo plenamente o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa”, diz a nota.

O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.

Camilla Arisa Hasebe
Publicitária formada em Técnico em Informática (SENAI) e Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing (UNOPAR). Transforma ideias em soluções criativas que unem design, estratégia e inovação digital. Une o raciocínio lógico à sensibilidade criativa para desenvolver projetos.

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