Encontro do ministro Alexandre de Moraes com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e outros cinco integrantes da cúpula da corporação, ocorrido em 6 de outubro sem registro oficial, ampliou a desconfiança dentro do Supremo. A reunião aconteceu dias após o primeiro turno e às vésperas da entrega de relatório que cita ministros da Corte no caso Banco Master.
Por Redação do Diário do Povo
Brasília, 23 de outubro de 2026 – Uma reunião não registrada na agenda oficial entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a cúpula da Polícia Federal está no centro de uma nova crise interna na Corte, a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais.
O encontro ocorreu em 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno, na sede do STF. Participaram o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e os diretores de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali, e de Inteligência, Leandro Almada . Informações posteriores indicaram a presença de mais dois delegados: Vitor Arruda, chefe da Coordenação de Inquéritos Especiais (Cinq), e Guilhermo Catramby, da Contrainteligência .
Nem a PF nem o STF informaram oficialmente o motivo da reunião até o momento .
Por Que a Reunião Gerou Suspeitas
A desconfiança entre integrantes do STF tem múltiplas camadas. A primeira é o momento: a PF se preparava para entregar ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório com todas as citações a ministros do Supremo surgidas nas investigações do caso Banco Master — incluindo os contatos de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro .
A segunda é quem estava na sala. Os delegados presentes comandam exatamente os setores responsáveis pelas apurações mais sensíveis do tribunal. A Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor) cuida dos inquéritos dos casos Master e INSS. Vitor Arruda, um dos presentes, é inclusive um dos signatários do relatório que apontou a troca de 52 mensagens entre Moraes e Vorcaro . Já a Diretoria de Inteligência (DIP) era responsável por investigações que envolviam o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o inquérito das fake news .
Integrantes do Supremo questionam, nos bastidores, se a reunião não teria como objetivo “fazer um filtro” sobre as informações que chegariam a Fachin .
O Efeito Imediato
A repercussão do encontro foi quase instantânea. O ministro Luiz Fux determinou que a Secretaria Judiciária do STF lhe fornecesse, em 48 horas, acesso integral aos autos sigilosos do inquérito das fake news e de outras investigações contra Bolsonaro. A ordem acabou barrada por Fachin .
Nos bastidores, uma ala da Corte creditou ao encontro a motivação principal para a reação de Fux. Em voto sobre a abertura de investigação contra Moraes, Fux chegou a citar a existência de uma “PF paralela” que estaria monitorando o ministro André Mendonça, então relator do caso Master .
O Contexto do Caso Master
A crise se desenrola desde setembro, quando o relatório da PF sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro veio a público. O documento apontou oito encontros confirmados entre os dois entre 2024 e 2025, além de outros oito momentos em que eles podem ter se encontrado .
A PF também identificou registros digitais que indicam que Moraes teria atuado na edição de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. Um segundo contrato, de R$ 50 milhões, com outra empresa do banqueiro, teria parte paga em aeronaves .
Moraes nega irregularidades. O escritório de sua esposa afirmou que consultou o ministro apenas sobre a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação .
O Que Dizem os Envolvidos
Procurados, o STF e a Polícia Federal não se manifestaram sobre o motivo da reunião ou sobre as suspeitas levantadas nos bastidores até a publicação desta reportagem.
A reunião segue sem explicação oficial, e a tensão interna na Corte permanece em aberto a dois dias da votação que definirá o próximo presidente da República.









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