Geraldo Leite Rosa Neto continua preso e responderá por feminicídio e fraude processual; calendário de audiências vai até 3 de julho

SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira (21) o pedido de “absolvição sumária” apresentado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a policial militar Gisele Alves Santana com um tiro na cabeça.
A absolvição sumária é uma decisão judicial que encerra um processo criminal antes do julgamento, quando a Justiça entende que não há elementos suficientes para manter a acusação. Ao negar o pedido, a juíza Michelle Porto de Medeiros considerou válidos os elementos reunidos durante as investigações conduzidas pela Polícia Militar no Inquérito Policial Militar (IPM).
Segundo a magistrada, os indícios apresentados são suficientes para sustentar a denúncia oferecida pelo Ministério Público e permitir o prosseguimento da ação penal na Justiça comum.
Calendário de audiências
O caso seguirá para a fase de instrução, quando acusação e defesa apresentarão provas e depoimentos. As audiências já estão marcadas:
- 29 de junho, às 9h30: depoimentos do delegado do caso Lucas de Souza Lopes, peritos criminais, policiais militares e uma vizinha do apartamento do casal.
- 30 de junho, às 9h30: depoimentos de policiais militares e uma testemunha protegida.
- 1º de julho, às 9h30: pais de Gisele e filha da PM (depoimento especial).
- 2 de julho, às 9h30: policiais militares, incluindo um coronel.
- 3 de julho, às 10h: interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que ainda não há data definida para a realização do julgamento.
O caso
A soldado da PM Gisele Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, no centro de São Paulo. Ele foi indiciado por feminicídio e fraude processual e está preso preventivamente desde 17 de março.
Investigação apontou feminicídio
Para os investigadores, o tenente-coronel matou a mulher e alterou a cena do crime. Geraldo alegou que a soldado se matou enquanto ele estava no banho, após uma conversa sobre um possível divórcio. A bala que atingiu a policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações.
Cena do crime: A posição do corpo de Gisele — caída no chão da sala, entre o móvel da TV e um sofá, com um pé embaixo do móvel — e a posição da arma encaixada em sua mão levaram os peritos a concluir que a cena não era de um suicídio.
Relação sexual: Os legistas constataram que Gisele teve relação sexual antes de ser morta, contrariando a versão do tenente-coronel de que o casal dormia em camas separadas havia seis meses.
Marcas de agressão: Um laudo do IML encontrou no pescoço e no rosto de Gisele marcas “de lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação”, indicando que ela foi imobilizada pelo pescoço e estava desmaiada no momento do disparo.
Vestígios de sangue: Foram encontrados no banheiro e em outros cômodos do apartamento.
Comportamento do oficial: Uma vizinha disse que ouviu o disparo às 7h30, mas o tenente-coronel só fez a primeira ligação para pedir socorro meia hora depois.
Mensagens e áudios
A família de Gisele trouxe à tona mensagens enviadas pela soldado a uma amiga em dezembro do ano passado: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego, não tenho como controlar o que falam.”
Um áudio enviado por Gisele ao pai também foi anexado ao inquérito. Nele, a policial busca uma casa mais perto da família: “Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar.”
Para a defesa da família, o conteúdo reforça que Gisele pretendia deixar o apartamento onde vivia com o marido.
O caso segue em andamento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.








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