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Uma discussão motivada pelo horário de buscar as filhas terminou em um brutal feminicídio na noite do último sábado (11), em Itumbiara, na região sul de Goiás. Gine Kelly Valadão de Castro, de 29 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-marido, William Constantino Dantas Silva, de 36 anos. O crime foi cometido na presença das duas filhas do casal, de 12 e 8 anos.

De acordo com o delegado Felipe Salla, responsável pelas investigações, o autor confessou o crime em depoimento à Polícia Civil. Ele alegou que o desentendimento começou após um atraso por parte da vítima.

“Ela deixou as crianças com o homem para que ele pudesse cuidar delas, de acordo com a versão do interrogado. Eles combinaram que ela retornaria às 17h e ela acabou retornando por volta de 23h. E isso gerou uma discussão entre o casal que foi se esquentando. O autor confessa que pegou uma faca na cozinha e agrediu a mulher com golpes de faca”, relatou o investigador.

Passado de violência e separação

A relação entre a vítima e o agressor perdurou por quase uma década, sendo caracterizada por diversos períodos de rompimento. Quando a tragédia ocorreu, os dois já não dividiam o mesmo teto havia cerca de um mês.

Dados da investigação apontam que episódios anteriores de agressões domésticas foram reportados há quatro anos. Naquela época, o Judiciário chegou a determinar o afastamento do homem por meio de medidas protetivas; entretanto, os mecanismos de defesa caducaram após a reconciliação do casal no período subsequente.

A detenção de William Constantino ocorreu em flagrante logo após o episódio violento de sábado. Já no dia seguinte, domingo (12), o magistrado responsável pela audiência de custódia optou por converter a prisão em preventiva, assegurando que o investigado permaneça sob custódia estatal.

A representação do acusado durante o ato processual coube à Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), exercendo seu papel institucional de assegurar o direito à defesa. Por meio de nota, a instituição esclareceu que não emitirá declarações sobre o mérito da causa e informou seu desligamento do feito, visto que a comarca não possui atuação fixa do órgão. Diante disso, o Poder Judiciário deverá aguardar a indicação de um advogado particular ou providenciar a nomeação de um defensor dativo para o réu.

Gine Kelly, que atuava no comércio de vestuário infantil em Itumbiara, gozava de grande estima em seu círculo social. As cerimônias de despedida e o sepultamento da jovem foram realizados no domingo (12), marcados por um profundo sentimento de revolta e tristeza entre os presentes.

Letícia Araújo, afilhada da vítima, relembrou com emoção a trajetória da madrinha, destacando sua personalidade vibrante e o papel central que desempenhava na família.

“Ela transcendia o título de madrinha; era meu alicerce, uma amiga e uma mãe que não media esforços para proteger os seus. Sentirei uma falta imensa do som da sua alegria”, expressou a jovem de 20 anos.

Letícia também manifestou angústia ao pensar no futuro das primas diante da ausência materna. “Dói pensar no vazio que as filhas enfrentarão sem essa mãe excepcional. O plano era tê-la por perto, testemunhando o crescimento delas e cada vitória que ainda viria”, finalizou.

O inquérito policial segue em andamento para a coleta de provas finais antes de ser remetido à apreciação da Justiça.

Mulher é morta pelo ex marido Imagens G1
Jessica Machado
Bacharel em Direito e jornalista, apaixonada por comunicação e por contar histórias que fazem a diferença.

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