Estado registra nove casos da doença em humanos neste ano, com cinco mortes; nenhuma das vítimas estava vacinada; orientação é procurar UBS para imunização

SÃO PAULO — A confirmação da febre amarela em um primata não humano em Santo André, no Grande ABC, levou o governo de São Paulo a reforçar as ações de vigilância e vacinação na região. A Secretaria Estadual da Saúde orienta que moradores ainda não imunizados procurem uma unidade básica de saúde.
O registro consta no boletim epidemiológico do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), divulgado nesta segunda-feira (25). Segundo a pasta, a presença do vírus em primatas indica risco de transmissão em áreas de mata, parques, unidades de conservação e regiões próximas a corredores ecológicos.
Casos e mortes em 2026
Neste ano, o estado de São Paulo confirmou nove casos de febre amarela em humanos, com cinco mortes. Nenhum dos pacientes havia sido vacinado. Os casos foram registrados em:
- Lagoinha: 5 casos (4 mortes)
- Araçariguama: 1 caso
- Cruzeiro: 2 casos
- Cunha: 1 caso (1 morte)
Vacinação no ABC
Em Santo André, a vacinação está recomendada para pessoas a partir de 6 meses. Crianças entre 6 e 8 meses podem receber a chamada “dose zero”, que não substitui as doses previstas no calendário regular. Idosos com 60 anos ou mais, gestantes e mulheres que amamentam crianças de até 6 meses também podem ser vacinados, desde que passem por avaliação médica.
A orientação também vale para São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Nessas cidades, a recomendação é de vacinação seletiva para pessoas a partir de 9 meses que ainda não receberam a vacina, estão com esquema incompleto ou circulam em áreas de risco.
O que diz a Secretaria da Saúde
A Secretaria Estadual da Saúde orientou os municípios a facilitar o acesso à vacina sem necessidade de agendamento prévio e reforçar a busca ativa de pessoas não imunizadas, especialmente moradores de áreas rurais, regiões de mata, entorno de parques e unidades de conservação, além de trabalhadores rurais, turistas e pessoas com deslocamento frequente para locais de risco.
Segundo a pasta, pessoas que receberam a dose fracionada da vacina contra a febre amarela em 2018 devem tomar uma nova dose completa, principalmente aquelas que moram ou vão viajar para regiões com circulação comprovada do vírus.
Transmissão e sintomas
A febre amarela é transmitida por mosquitos infectados e possui ciclos silvestre e urbano. Não há transmissão direta entre pessoas nem de macacos para humanos. Os primatas funcionam como “sentinelas” da circulação do vírus e ajudam autoridades sanitárias a identificar áreas de risco.
Os sintomas iniciais da febre amarela incluem:
- Febre de início súbito
- Calafrios
- Dor de cabeça intensa
- Dores nas costas e no corpo
- Náuseas e vômitos
- Fadiga e fraqueza
Esquema vacinal
A vacina contra a febre amarela é gratuita e integra o calendário de rotina. O esquema vacinal recomendado é:
- Crianças: uma dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos;
- Pessoas que receberam apenas uma dose antes dos 5 anos: devem receber reforço;
- Pessoas de 5 a 59 anos não vacinadas: dose única;
- Pessoas vacinadas com dose fracionada em 2018: devem verificar a necessidade de atualização da caderneta.
A orientação é que moradores das regiões afetadas procurem uma unidade básica de saúde para verificar a situação vacinal e, se necessário, se imunizar contra a doença. O caso segue em monitoramento, e novas informações serão divulgadas assim que forem liberadas pelas autoridades competentes.








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